Estou entre aqueles que preferem, como regra, um Ministério Público, no âmbito Federal e Estadual, extremamente atuante no exercício de suas atribuições legais, porém discreto na forma de agir. A entrevista concedida pelos principais atores da “Força Tarefa” da “Operação Lava Jato”, na visão de especialistas, teria ido além do habitual e do convencional, para alcançar um sensacionalismo desnecessário que chegou a ser rotulado como de um verdadeiro “show midiático”.
Na oportunidade, a equipe dissecou os indícios e as provas amealhadas e que sustentam a denúncia oferecida contra o ex-presidente Lula. As provas seriam suficientes e cabais para se afirmar que ele foi o “General” do esquema de corrupção que praticamente ‘limpou‘ os cofres da Petrobrás e que teria servido para irrigar o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores.
Aqui não quero me deter na análise dessas provas, embora tenha, como todo brasileiro, opinião formada sobre as mesmas. Quero apenas repercutir a forma como essas provas foram trazidas ao conhecimento da sociedade. Teria ocorrido excesso? Houve intenção de alguns de se projetar perante a sociedade?
A minha primeira impressão foi no sentido de que não era necessário tudo aquilo. Porém, melhor refletindo, me vi obrigado a entender que a “Força Tarefa” adotou a forma midiática, para dar uma resposta exemplar a uma parte considerável do povo, que sempre enxergou uma mão branda e amiga com Lula. Sim, pois no entender dessa parte da população, um esquema de corrupção de tal grandeza não ocorreria sem o conhecimento e a anuência do expoente maior do partido.
Assim, para as autoridades, a situação posta justificava uma resposta contundente à nação, pois, “para grandes males, grandes e poderosos remédios”.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
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