Não foi o primeiro caso, nos últimos anos. E, se a situação da saúde pública em Franca continuar da forma em que está, mal gerida e considerada “exemplar” quando não o é, outros fatos do tipo se repetirão sem que a população francana encontre eco aos seus anseios, dúvidas e preocupações nos representantes eleitos. Mesmo tendo em mãos instrumentos capazes de penalizar os responsáveis pela questão, nada fazem. Assim foi com a CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Câmara Municipal para apurar as nove mortes relacionadas ao atendimento; depois disso, outra comissão, criada para investigar a ação de uma quadrilha de falsos médicos e as relações da administração municipal com o ICV (Instituto Ciências da Vida). Em ambos os casos, livraram-se o prefeito Alexandre Ferreira e a então secretária de Saúde Rosane Moscardini, alvos de inquérito aberto pelo MP (Ministério Público) estadual por causa de uma série de irregularidades no pagamento aos médicos terceirizados que atendiam nos Prontos-socorros.
Desta vez, quem sofre com a perda é a família da jovem Silvana Manarim de Oliveira, 25, que morreu vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) à espera de uma vaga na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa de Franca. Segundo informações de familiares, a vítima passou pelo pronto-socorro “Álvaro Azzuz” três vezes, de sexta-feira a domingo, mas não teve um diagnóstico preciso. Com sintomas de AVC a jovem foi encaminhada até a Santa Casa de Franca, mas segundo familiares no hospital não tinha vaga. Silvana morreu na última segunda-feira e foi sepultada anteontem. Ao mesmo tempo em que os familiares denunciavam negligência, como em todos os outros casos registrados nos últimos anos, a Secretaria Municipal de Saúde e a Santa Casa de Franca calaram-se e até a noite de ontem não se manifestaram sobre o assunto.
Se fosse um caso isolado, poder-se-ia alegar fatalidade. Mas diante de pelo menos dez ocorrências suspeitas nos últimos três anos e meio, a maioria delas ainda sem qualquer resposta do Poder Público, confirma-se que há algo de errado no gerenciamento da Saúde Pública do município. Além de outros problemas verificados na rede, como a demora no atendimento, repetição de consultas e até a falta de diagnósticos precisos, mais uma vez Franca se vê às voltas com a dor de uma família que perde um membro sem que qualquer autoridade venha a público se explicar e, principalmente, apresentar suas condolências aos familiares da vítima. Como sempre, o mutismo toma conta do prefeito, que jacta-se de comandar um dos melhores sistemas de saúde do País o que, infelizmente, os fatos acabam por derrubar.
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