Jovem morre após longa espera por vaga em UTI


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A prensadora Silvana Manarim de Oliveira, 25, morreu na madrugada da última segunda-feira, vítima de um AVC
A prensadora Silvana Manarim de Oliveira, 25, morreu na madrugada da última segunda-feira, vítima de um AVC
A prensadora Silvana Manarim de Oliveira, 25, morreu na madrugada da última segunda-feira, vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral), após buscar atendimento por três dias seguidos no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e aguardar, cerca de 10 horas, por uma vaga na UTI da Santa Casa de Franca, segundo a família. De acordo com o marido e a irmã da jovem, a demora na internação e a omissão no pedido de exames mais complexos teriam diminuído as chances de sobrevivência de Silvana.
 
“Ela voltou por três vezes no PS com a dor piorando. Poderiam ter pedido uma tomografia e teriam visto o trombo que estava obstruindo a passagem do sangue na cabeça dela, provocando o AVC. Se ela tivesse sido atendida com mais rapidez na Santa Casa, acho que ela teria tido mais chances de sobreviver”, disse a manicure Graciany Barboza.
 
De acordo com o marido de Silvana, o prensador Leandro Souza, sua mulher teria reclamado de dores de cabeça na quinta-feira. Na ocasião, ambos buscaram por medicamentos convencionais, em uma farmácia, que não teriam surtido efeito. “Como não resolveu e a dor piorou, fomos ao pronto-socorro na sexta-feira, por volta das 19 horas. Ficamos lá até as 2 horas e ela foi liberada”, contou Souza. “No sábado, meu aniversário, ela levantou e me deu um abraço. Resolvi almoçar em casa e, quando cheguei, ela estava com muita dor e vomitando. Um tempo depois, ela sentou na cama, começou a chorar e disse que não estava bem. Voltamos para o PS por volta das 14h15.”
 
Ainda segundo os relatos de Leandro, por volta das 16 horas, ele foi chamado para o interior do hospital a fim de auxiliar a mulher, que teria sido medicada e estava debilitada. “O médico me disse que já tinha dado todo tipo de remédio a ela e só restava a morfina. Eu disse que, se isso fosse tirar a dor dela, poderia aplicar. Depois disso, liberaram a gente, mas ela não conseguia andar e não estava falando. Perguntei se ela poderia ir para casa daquele jeito e disseram que era só efeito do remédio. Isso já eram 3 horas. Ficamos 13 horas no pronto-socorro.”
 
Em casa, o quadro de Silvana foi piorando. Já não conseguia se sentar, comer, beber ou se comunicar. Leandro afirma ter ficado desesperado e pedido ajuda de um cunhado para colocar a mulher no carro e encaminhá-la, novamente, ao “Álvaro Azzuz”. Desta última vez, a equipe do local teria pedido uma vaga para Silvana na Santa Casa.
 
“Como a Santa Casa estava demorando a liberar, o pessoal do PS decidiu correr com ela para lá mesmo assim. Eu já estava desesperado e não me lembro ao certo o horário, mas acredito que por volta das 15 horas ela tenha chegado lá.” 
 
Ao ver o choque do cunhado, a irmã de Silvana, Graciany, teria tomado a frente da situação. Por volta das 23 horas, ela decidiu que precisava de ajuda. “Ao ver a situação da irmã, minha cunhada perguntou se eu autorizava chamar a TV e a rádio para contar o que estava acontecendo. Nesse intervalo, um médico me ofereceu levar a Silvana para a UTI do Hospital do Coração e eu aceitei. Falei para minha cunhada não chamar mais ninguém.”
 
Segundo Graciany, a promessa não foi cumprida porque uma pessoa da Santa Casa teria informado a abertura de uma vaga na UTI local. “Me pediram 40 minutos para limpar o leito e subir com ela. Concordei, mas isso só aconteceu por volta das 2 horas. Acho que houve descuido com a minha irmã.” A família pretende registrar um boletim de ocorrência contra a Santa Casa e o PS de Franca.
 
Outro lado
A Secretaria de Saúde afirmou ter acompanhado a paciente desde o dia 16 de setembro com atendimento clínico, realização de exames, medicação, mas que seu quadro clínico não era compatível com indicação de internação.
 
“No dia 18 de setembro, diante do agravo de saúde do quadro clínico da paciente, o pronto-socorro regulou a mesma para internação na Fundação Santa Casa de Franca”, afirmou o secretário José Conrado Netto. “Ressalta-se que todos os casos de não conformidade nos atendimentos da saúde, agora são avaliados pela Comissão de Revisão de Prontuário e Óbitos, com atribuição e competência para tal finalidade. Após parecer conclusivo da comissão, os casos são encaminhados aos órgãos competentes, como a Divisão de Auditoria e Controle e a Comissão de Ética Médica para ciência e providências que forem necessárias. Devido à gravidade do noticiado, o caso em tela será encaminhado à Comissão para análise.”
 
A Santa Casa afirmou, em nota, que a paciente deu entrada no hospital no dia 18, às 15h36, em estado grave, e que foi assistida por equipe médica, passou por exames e recebeu atendimento na unidade de terapia intensiva. “Porém, mesmo diante de toda a assistência recebida, a paciente evoluiu a óbito no dia 19 de setembro às 14h50.”

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