Estamos em pleno século XXI, quando a tecnologia nos permite acompanhar acontecimentos em tempo real do outro lado do mundo. Até o processo eleitoral no Brasil permite que o resultado do pleito seja conhecido horas depois de encerrado. Por isso, ainda não se entende a existência de um dos maiores entraves ao crescimento do País: a burocracia que muitos chamam de “burrocracia” com toda a razão. No Brasil, ainda exigem-se uma infinidade de cópias, papéis e documentos probatórios até para a quitação de uma de uma simples conta atrasada e protestada em cartório. Por causa disso, mostram estudos que o tempo médio para abrir uma empresa é de 119 dias, contra uma média de 20 dias nos demais países do G20.
O que se percebe é que não há nenhuma vontade política para se resolver esta questão. O empreendedorismo é desmotivado pela série interminável de papéis exigida para quase tudo. São comprovantes de residência, de rendimentos, antecedentes criminais e fiscais, formulários em sequência para serem preenchidos e documentos de identidade. Além dos originais, exigem-se cópias e mais cópias que, na maioria das vezes, acabam arquivadas, criando depósitos com toneladas de papéis que não valem para nada.
Um bom exemplo é a renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Mesmo com a existência do Poupatempo em Franca, onde se pode agendar o atendimento, ninguém demora menos do que duas horas no recinto. Exigem-se cópias da CNH e do comprovante de residência (os originais têm que ser apresentados também), passa-se por um guichê que confere todas as informações e o interessado é enviado a outro setor, com uma senha, onde espera ser chamado. Após minutos de espera, é direcionado a um segundo guichê, onde os papéis são novamente conferidos e carimbados. Daí, mais uma espera para tirar a foto e armazenamento das digitais dos dez dedos. Dali espera-se mais para o exame de vista, de onde o interessado se dirige à agência bancária existente dentro do Poupatempo, onde paga as taxas. Saindo do banco, outra fila só para agendar a data de entrega, marcada para quatro dias depois.
O mesmo acontece para se abrir uma empresa, só que mais complicado ainda. Passa-se por várias repartições, apresentam-se diversos documentos (com cópias de tudo) e a espera chega a mais de três meses. Algo impensável, quando se vê computadores por todos os lados. Para que a vida nacional se torne mais ágil, a desburocratização é necessária. A burocracia só atravanca a vida do cidadão. Por isso, precisa ser extirpada de vez do nosso dia a dia.
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