Ópera bufa


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A cena política brasileira se torna uma ópera bufa. Durante o processo de impeachment, a presidente penalizada e seus seguidores denunciaram ‘golpe’ ao mundo, mesmo advertidos de que era apenas ação constitucional. Agora, o ex-presidente Lula, ao ser colocado pelos procuradores da Lava Jato como chefe da quadrilha que assaltou a Petrobras, reage em choroso discurso, comparando a Jesus Cristo, Tiradentes e Getúlio Vargas. De novo, falou em ‘golpe’. 
 
A paciência nacional se esgota. Independente da opinião de cada um, o que o povo busca são soluções, e não se importa com as razões de uns e outros do cenário político. Ao mesmo tempo em que uns defendem, outros pedem cadeia para o ex-presidente e seu séquito. Redes sociais ‘fervem’ em debates absurdos, que até sugerem confronto!
 
O cidadão comum quer apenas o fim da crise e oportunidades de trabalho, educação, previdência social, segurança e outros bens que lhes são devidos pela estrutura da sociedade organizada. Deveria ser poupado do embate, que serve apenas para indigná-lo e adicionar pessimismo a dia-a-dia.
 
Seria uma glória para a nação se todos os políticos fossem honestos, e que o próprio Lula e tantos outros acusados pudessem provar honestidade. No entanto, o que se tem é malfeitos em série revelados e entregues à apuração. Toda a população — exceto os envolvidos — espera que haja severa e justa apuração, e que cada um seja penalizado na medida exata de sua culpa, dolo e envolvimento. Nem mais, nem menos. Todo e qualquer crime deve exemplarmente punido.
 
O Brasil precisa da justiça com a venda nos olhos na exata forma do que se quer representar na imagem da deusa Têmis, para ver e decidir apenas sobre o cometido, independente de relações sociais, econômicas ou de poder do cometedor. E que tudo se dê com rapidez para evitar a perenidade do mal. Se Lula deve, que se prove e se lhe aplique penas cabíveis. Se não, que o deixem em paz. Ainda quanto a Lula, que se acautele ao escolher seus paradigmas. Os três citados — Jesus, Tiradentes e Vargas — restaram mortos de suas contendas...
 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista

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