Álvaro Batista Camilo nasceu em Ferraz de Vasconcelos, São Paulo. Neto e filho de membros da antiga Força Pública do Estado, decidiu aos 17 anos seguir o exemplo familiar e ingressou na Polícia Militar. De lá para cá, foram 33 anos de atuação em diversas divisões: Corpo de Bombeiros, Inteligência, Planejamento e Policiamento alcançando o mais alto posto da PM, o de comandante-geral. “Somos em quatro irmãos, três homens e uma mulher. Dois de nós, meu irmão mais velho e eu, seguimos o exemplo de meu avô e de meu pai. Meu irmão é coronel da reserva”, disse. “E eu passei toda a minha vida na Polícia Militar, fazendo coisas que adoro, como ajudar as pessoas.”
O engajamento no serviço militar bem como seu currículo acadêmico contribuíram para sua trajetória de sucesso. Coronel Camilo é pós-graduado em Segurança Pública pelo Centro de Estudos Superiores da Polícia Militar, formou-se administrador de empresas pelo Mackenzie e é pós-graduado (MBA) em Gestão de Tecnologia da Informação pela FIAP e em Gestão de Segurança Pública pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. É entusiasta da Polícia Comunitária e implementou inovações na PM durante sua gestão. Quanto a seu ingresso na política, afirma ter acontecido por um convite inesperado do ex prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
“Ele me convidou para filiar-me ao PSD e concorrer a vereador por São Paulo e eu disse: imagina! Você deve estar brincando. No fim, ele teve de convencer a mim e à minha mulher.”
Depois de conquistar a vaga na câmara, em 2012, foi candidato a deputado estadual pelo PSD e se elegeu com 64.448 votos nas eleições de 2014. Confira sua trajetória nesta entrevista que ele concedeu ao Comércio durante sua passagem por Franca, há duas semanas.
Como começou a sua carreira na Polícia Militar? Que motivos o levaram à corporação?
Entrei na Polícia Militar aos 17 anos, influenciado pelo meu pai e pelo meu avô. Meu avô foi cabo da antiga Força Pública, lutou na Revolução de 1932. Chegou a ser baleado e a ficar preso no Rio de Janeiro. Meu pai também entrou para a Força Pública na década de 1950, chegando a ser sargento. Passei toda a minha vida na Polícia Militar, fazendo coisas que adoro, como ajudar as pessoas.
Você chegou ao mais alto posto da Polícia Militar, o de comandante-geral. Como foi essa trajetória?
Entre 2007 e 2008, conheci o então prefeito de São Paulo, José Serra. Em 2009, completei 30 anos de serviço e ia pedir minha passagem para a inatividade quando ele, já governador, me convidou para ser o comandante-geral da Polícia de São Paulo. Fiquei por mais três anos e continuei com um forte trabalho de combater pequenos crimes, baseando-me no que fez Giuliani (Rudolph, prefeito da cidade de Nova York entre 1994 e 2002, responsável pela diminuição dos crimes na cidade em 60%), em Nova York. Apliquei a “tolerância zero”, trabalhei contra os pequenos delitos e fomos tendo bons resultados. Apliquei a “teoria da janela quebrada”, que diz que manter o ambiente organizado inibe a prática de crimes. Criei a Operação Delegada, que permitiu aos policiais trabalharem para a Prefeitura a fim de complementarem suas rendas; criamos a Dejem (Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar) e trabalhei na valorização do policial como pessoa. Consegui aumento de 15% para os policiais e um aumento para o pessoal da reserva de quase 22%. Aumentei a diária alimentação de R$ 2 para R$ 20.
Traçando um paralelo, quais condições você encontrou ao entrar para a Polícia Militar que foram modificadas em sua gestão como comandante-geral?
Pela primeira vez, quando cheguei ao comando, o policial teve acesso ao comandante-geral. Abri canais de comunicação via redes sociais, e-mail, blog e encontros físicos entre nós. Implementei o café com o comandante. A cada 15 dias, até hoje, o comandante escolhe um caso de sucesso, um policial que se destacou, para ir ao comando da instituição junto com a família para tomar um café com ele. Fiz mais de 72 audiências públicas no Estado de São Paulo onde eu reunia toda a tropa e dava aos policiais o microfone para que eles fizessem perguntas e questionassem o próprio comando-geral sobre qualquer assunto. No início, tentaram filtrar as perguntas. Pediram para que os policiais escrevessem no papel e me entregaram as pré-selecionadas. Eu disse: não! Pode jogar tudo fora. Entrega o microfone para eles e eu vou responder o que eles quiserem.
Houve algum tipo de resistência?
Tive muita resistência interna, no início. A força pública, no começo do século, foi treinada para ser um exército. Tanto é que lutou em 1932 contra a União. Isso ficou muito arraigado e, pela primeira vez, encarei o policial fora da farda, como um ser humano que também precisa ser atendido, ter voz e participar. Deixei 22 protocolos de intenções com universidades para que eles e os filhos pudessem estudar, inclusive no exterior. Isso não era uma regra dentro da PM.
O senhor acha que o efetivo da polícia, hoje, atende a demanda da sociedade?
Nosso efetivo é, sim, suficiente para a demanda que a gente tem desde que atue na atividade a qual deveria se designar, no lugar certo. Temos muitos policiais trabalhando na escolta de prisioneiros, serviço que deveria ser garantido pela administração penitenciária. Além disso, os policiais teriam maior motivação se a remuneração fosse melhor bem como seu armamento e equipamento. Quando fui comandante, aposentei o revólver e comprei pistola .40 para todo mundo. Mas ainda é preciso oferecer melhores viaturas, um armamento mais pesado, principalmente nas forças táticas, que combatem uma criminalidade que já possui armamento pesado. Apesar de que venho de uma outra linha, a da polícia comunitária, mas nós temos de estar preparados para isso.
E como fazer funcionar a Polícia Comunitária?
Quando toda a população for os olhos da polícia e ela conseguir evitar o crime, chegar antes que ele aconteça. Para isso, a comunidade precisar acreditar na polícia e confiar a ponto de passar informações. Para isso acontecer, a polícia precisa ser conhecida. A população de São Paulo não sabe que a PM tem hoje 94 mil homens e mulheres; 31 aeronaves; 27 helicópteros; base de helicópteros por todo o Estado; que 85% da população está a 15 minutos de um Águia. Além da população, a Polícia Comunitária precisa contar com a participação de líderes comunitários, eclesiásticos, empresários, políticos e da mídia.
Durante sua gestão, como trabalhou para isso?
Enquanto comandante, criei um centro de comunicação para a PM porque a mídia tem um processo importante dentro da proposta. Não sou eu quem diz, mas um livro chamado Policiamento Comunitário, Como Começar (Robert Trojanowicz e Bonnie Bucqueroux). Trabalha-se a segurança de duas formas: do modo efetivo - combatendo o crime e derrubando indicadores de violência - e reduzindo a sensação de insegurança. Essa segunda parte acontece por meio da imprensa. Quando você divulga estatísticas com o resultado do trabalho efetivo, as prisões e apreensões que são feitas, você desestimula os marginais e aumenta a sensação de segurança. As pessoas enxergam o trabalho da polícia. Quando você faz o contrário e valoriza o crime, o processo é inverso. Foi por isso que autorizei programas de TV como o Polícia 24 Horas, Operação de Risco, Os Águias da Cidade, Emergência 193. A população precisa saber que esse policial não veio de Marte, mas do meio do povo e que ele também tem uma família a proteger.
Como deputado, que projetos você destaca?
Fiz a Lei dos Pancadões, que interfere nos shows de rua que perdem a compostura. Essa lei estadual deu poderes à Polícia Militar para agir. Antes, se chamassem a PM por razões de som alto, ela não poderia agir, apenas pedir para que o mesmo fosse diminuído. A não ser que o cidadão fizesse um boletim por perturbação de sossego. Ninguém ia, para não se expor. Com a Lei, a PM pode aplicar multas de R$ 1 mil a R$ 4 mil e apreensão do veículo ou do som.
Depois de ter passado pela PM e ingressado na política, como você enxerga a questão da segurança?
Percebo que segurança não é problema somente de polícia. Segurança é não deixar lixo na rua, pichações, bagunça, drogados. O consumo de drogas não é um problema de polícia em si. O porte e o tráfico sim, mas o consumidor é um doente que precisa ser tratado pela área social, pela Saúde Pública. E não adianta desintoxicar o paciente e depois dizer: volta para casa. Ele não tem casa! Vai voltar para as ruas e para o consumo. É preciso dar emprego, treinar essas pessoas para alguma coisa. Eu vejo que o caminho é por aí. E foi por isso que entrei na política. E escolhi o PSD pelo compromisso que ele propõe. Sou amigo de diversos políticos, mas escolhi o PSD por seus objetivos: liberdade de expressão, empreendedorismo, livre iniciativa, Estado mínimo; que são coisas em que acredito.
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