A companhia de produtos químicos e saúde Bayer anunciou a compra da gigante de sementes Monsanto em operação avaliada em US$ 66 bilhões, ou US$ 128 por ação.
O valor final representa um prêmio de 44% sobre o preço de fechamento da ação da Monsanto de 9 de maio, antes que a Bayer fizesse a primeira proposta pela gigante de sementes.
O acordo encerra meses de negociações durante os quais a empresa de produtos químicos apresentou três propostas pela Monsanto. A oferta anterior era de US$ 127,50 por ação.
O acordo criará uma empresa que dominará mais de um quarto do mercado mundial combinado para sementes e pesticidas em uma rápida consolidação da indústria de insumos agrícolas.
Os produtores brasileiros não viram com bons olhos mais uma união de grandes empresas do setor de fornecimentos de insumos agropecuários. Para eles, toda concentração é perigosa e traz novos custos, ainda que considerem que dessa união podem surgir novas tecnologias que favoreçam o produtor.
"Olho com receio a união dessas duas gigantes", diz Rui Prado, presidente da Famato (Federação da Agricultura do Estado de Mato Grosso). Para ele, a concentração vai na linha do monopólio.
O dirigente afirma que a agricultura no mundo está ficando nas mãos de poucos grupos, e os insumos, monopolizados. Ele acrescenta que "a história mostra que essas uniões sempre resultam em aumento de preço para o produtor e, por consequência, para o consumidor final".
Para Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e de Milho de Mato Grosso), criou-se uma gigante mundial, e essa concentração é ruim porque a oferta de insumos fica cada vez mais nas mãos de poucos.
"No primeiro momento, há uma redução da competição que é preocupante. Mas precisamos também olhar para a frente. Sendo uma das empresas que mais investem em pesquisa, a Bayer poderá avançar em germoplasma e biotecnologia, trazendo benefícios ao produtor", diz.
Precisamos primeiro olhar essa união e depois analisar o que ela vai representar para o setor, diz o presidente da Aprosoja, que já foi contatado pelas empresas envolvidas nesse processo.
Glauber Silveira, presidente da Câmara Setorial da Soja, diz que nenhuma fusão é positiva para o mercado. Uma coisa é certa, haverá redução de competitividade no setor.
BAYER/2º.TRI.2016
LUCRO LÍQUIDO US$ 1,5 bilhão
NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS 116 mil
PRINCIPAIS CONCORRENTES DuPont, Dow, Syngenta e Basf
MONSANTO/2º.tri.2016
LUCRO LÍQUIDO US$ 1 bilhão
NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS 22 mil
PRINCIPAIS CONCORRENTES DuPont, Dow, Syngenta e Agrium
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