Depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), era questão de tempo para que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva se tornasse o alvo preferencial do processo da Lava Jato, que intensifica as investigações e pode indiciar outros mais. A partir de agora, não basta a Lula dizer que não tinha conhecimento do esquema (o que afirma desde o Mensalão). E o que é pior: diante das evidências, terá ainda que explicar os depoimentos do publicitário Marcos Valério, preso pelo Mensalão e que vem se abrindo ao juiz Sérgio Moro, confirmando o que já tinha falado e não foi levado em consideração, e do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, que promete contar tudo o que sabe caso tenha homologado o acordo de delação premiada. O empreiteiro sabe muito e poderá esclarecer as dúvidas que ainda restam a respeito do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, que Lula insiste em dizer que não são seus.
Em entrevista coletiva na tarde de ontem, o MPF (Ministério Público Federal) anunciou a denúncia contra o ex-presidente Lula, a exprimira dama Marisa Letícia, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e outras cinco pessoas por envolvimento no caso do tríplex do condomínio Solaris. O Procurador da República e Coordenador da Força Tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato, Deltan Dallagnol, declarou que o ex-presidente Lula “é o comandante máximo dos crimes de corrupção na Petrobras. Sem o poder de influência de Lula esse esquema seria impossível”. Os procuradores apresentaram ainda algumas representações gráficas da chamada “proprinocracia” que foi instalada no governo federal, formada por núcleos político, administrativo, empresarial e operacional: De acordo com o gráfico, o funcionamento do Mensalão e da Lava Jato dependia não só do poder de Lula como comandante, mas como líder partidário, segundo o procurador.
Não vão adiantar, a partir de agora, os discursos com viés populista com os quais o ex-presidente tem se defendido e só convence a claque ignara que considera Lula acima do bem e da lei. Ele terá que explicar, de forma convincente, as suas relações nada republicanas com a OAS, inclusive o pagamento de viagens e despesas pessoais do ex-presidente. Não será surpresa se, diante do cerco da Justiça, Lula jogue algum de seus aliados aos leões, virando-lhe as costas como fez com José Dirceu, Delcídio do Amaral, Antônio Vaccari e o próprio Marcos Valério. A questão já não está mais na fase de descobertas da imprensa; agora, faz parte de um processo criminal que pode colocar os principais nomes do esquema criminoso de corrupção atrás das grades, incluindo aí aquele que é considerado o chefe da quadrilha.
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