Depois de quase um ano de processo, que se arrastou em razão das interferências do próprio parlamentar e seus aliados, a Câmara dos Deputados finalmente aprovou, por 450 votos (e apenas 10 contra, além de 9 abstenções), a cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que havia renunciado à presidência da Casa para tentar poupar o próprio mandato. Ao lado do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), os atrasos no caso de Cunha foram capazes de jogar o País numa crise institucional que manteve governo e o Congresso numa letargia que só fez aumentar os problemas internos, fazendo o desemprego explodir e a inflação continuar crescendo. O que surpreende, na cassação do parlamentar fluminense, é o alto número de adesões, quando se sabe que o corporativismo que atinge o parlamento brasileiro chegou a ameaçar a decisão que todo o brasileiro esperava.
A partir de agora, é esperar pelas decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) com relação aos políticos com foro privilegiado. Na próxima semana, a senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) será alvo de julgamento na Corte, podendo ser indiciada, ao lado do marido (e ex-ministro) Paulo Bernardo, por improbidade. A eles devem se seguir uma fileira de nomes, uma vez que se sabe que mais de 150 parlamentares com mandato estão na mira das investigações que apuram o esquema fraudulento que se formou na Petrobras para a distribuição de propinas a políticos, agentes governamentais e doleiros. As delações premiadas direcionam as acusações para nomes bastante conhecidos na política brasileira, como os senadores Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Edison Lobão (PMDB-MA) e o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL) e até Aécio Neves (PSDB-MG) além de Gleise e mais de uma centena de deputados. Que todos os culpados sejam penalizados, independente do partido ao qual pertençam.
Como a CPI da Petrobras não deu em nada, sem qualquer pedido de indiciamento, caberá ao Supremo tomar as decisões que deveriam ter partido do próprio Congresso. E não será surpresa a prisão de alguns deles, diante das fortes evidências de que receberam dinheiro desviado da Petrobras. O medo é grande, ainda mais que as investigações chegam bastante perto do governo Dilma Rousseff, por causa dos pagamentos feitos durante a campanha para a reeleição. O eleitor brasileiro espera que as decisões, a partir de agora, sejam aceleradas, sem que o corporativismo tome conta dos processos. Só assim, o Brasil terá condições de voltar a andar para a frente, enfrentando com firmeza a crise que nos assola e mostra pouca vontade de retroceder.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.