A belga Marieke Vervoort, 37, reacendeu, em meio à Paraolimpíada do Rio, a discussão sobre a eutanásia.
A para-atleta concedeu entrevista no Parque Olímpico a fim de desmentir os rumores de que, encerrado o evento no Brasil, passaria pelo procedimento, que consiste no ato de proporcionar a morte rápida e indolor a alguém com uma doença incurável.
Desde os 14 anos ela tem doença degenerativa, uma tetraplegia progressiva aliada a uma distrofia miopática lhe causam dores insuportáveis. "Não havia, e não há, um diagnóstico preciso", disse.
Vervoort desistiu de descobrir o que tinha e passou a se dedicar ao esporte. Praticou triatlo, mas o avanço da doença a impediu de prosseguir na modalidade.
Sobre a cadeira de rodas, ganhou no atletismo um ouro (100 m) e uma prata (200 m), na categoria T52, na Paraolimpíada de Londres.
"Depois destes Jogos, não me sentarei mais numa cadeira de corrida, mas não vou passar pela eutanásia", disse. Vervoort aproveitou para defender que mais países tornem legal o procedimento. Se não lhe tivessem permitido essa possibilidade, disse que teria se matado anos atrás.
No Brasil, a eutanásia é crime. Quem tira a vida de alguém é sujeito a ser julgado e preso por homicídio. De acordo com o Código Penal, a pena pode chegar a 20 anos.
Vervoort é contra esse tipo de condenação. "Países como o Brasil devem conduzir um debate para que esse assunto não seja mais um tabu. A eutanásia não deve ser considerada um crime."
Na Bélgica, a prática é permitida. No sábado (10), ela ganhou no a prata nos 400 m na classe T52.
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