Provocou comoção geral o acidente que vitimou estudantes na estrada Mogi das Cruzes--Bertioga, enlutando muito além das próprias famílias. Ali, naquela descida sinuosa, muitos jovens que se preparavam, por acreditar no próprio futuro, desencarnaram, aparentemente, antes da hora.
Extintas suas vidas físicas e ante a impossibilidade de que elas se lhes devolvam, pouco importaria saber de quem a culpa e qual a causa, não fosse a necessidade de se apurarem responsabilidades e de aprendermos com os próprios erros e com os erros alheios. Encontrarem-se os motivos não sanará o que aconteceu, mas, pode servir para ensinar o que se lhe evite repetição.
O momento é de oração em busca da paz e clareza de consciência tanto aos que perderam o corpo físico, quanto a familiares queridos, aos quais desejamos o sublimado conforto da certeza de que ninguém morre.
O que nos leva a recordar é que, por noticiário, tomamos ciência de que jovem algo contrariada, se queixara de haver atrasado e, por isso, perdido a viajem, e só depois soube da triste ocorrência, num misto de tristeza pela separação de amigos, e de alegria, por não se ter tornado mais uma vítima. Dá ensejo a perguntas: Deus a protegeu? Foi o acaso que a salvou?
No entendimento espírita, acaso não existe. O que existe é a Infinita Justiça, que não privilegia, nem desfavorece ninguém. Portanto, se as supremas leis se consubstanciam no amor, na sabedoria e na justiça em grau infinito, diante delas somos todos iguais. Daí, poder-se argumentar, mas Deus tem razões que desconhecemos! É de concordar-se, plenamente, com tal asserção, o que, porém, não Lhe altera, jamais, os supremos atributos.
Assim, ninguém sofreria se todos se conduzissem de maneira a não transgredir-Lhe os sábios e justos desígnios, que nos sugerem descartar o império do acaso para, em seu lugar, convencermo-nos de que tudo nos orienta à perfeita harmonia, a partir do fiel cumprimento das leis universais.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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