Mais para Sarney do que para Itamar


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Quem esperava ver uma repetição do roteiro de 1992, quando Itamar Franco tomou posse na presidência da República após o impeachment de Fernando Collor de Mello, está se sentindo frustrado. Após três meses de interinidade e uma semana como presidente de fato depois da cassação de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (PMDB) está mostrando um perfil mais alinhado ao de José Sarney, o vice que tomou posse como presidente após a internação do eleito Tancredo Neves, que viria a morrer em abril de 1985 sem assumir o posto. Antes de Itamar, que conseguiu promover a estabilização da economia com a criação do Plano Real, Sarney titubeou e deixou de promover as medidas capazes de combater a inflação e promover um ajuste fiscal capaz de tirar o Brasil do caminho das crises mundiais que afetaram o nosso País nos anos seguintes.
 
O mandato de Sarney foi marcado por uma inflação galopante, onde houve apenas uma linha de combate: o congelamento de preços e salários que só causou o desabastecimento e pavimentou a eleição de Fernando Collorpara presidência. Tivesse agido como Sarney, Itamar Franco dificilmente teria conseguido transformar os seus três anos de governo em um marco na História brasileira, ao usar a coragem para patrocinar um plano econômico como o Real, que surgiu debaixo de críticas, mas que conseguiu promover a estabilização econômica que o brasileiro esperava. Dilma só teve o impeachment aprovado ao tentar subverter todas as conquistas conseguidas com Itamar e não demonstrar pulso para aprovar as medidas que o Brasil espera para sair do buraco onde se encontra atualmente.
 
Temer tomou posse falando grosso, mas ficou nisso. Esperava-se que ele assumisse dizendo a que veio: reduzindo o número de Ministérios, desaparelhando a administração que havia sido aparelhada pelo Governo, enfrentando pelo menos alguns dos grupos corporativos que, indiferentes á crise, insistiam em multiplicar seus salários, vantagens, benefícios e penduricalhos diversos. Mas mostrou ser mais do mesmo: concordou com um pacotão de benefícios a grupos corporativos que aumentou o déficit público em mais de R$ 40 bilhões. Impôs medidas restritivas ao aumento de gastos dos Estados como preço para aliviar seus problemas financeiros, mas em seguida desimpôs as exigências. Assim que foi empossado, viajou para a China onde causou alarde ao comprar um par de sapatos, ignorando um dos pontos difíceis das relações com os chineses, que invadiram o mercado mundial e são acusados de dumping, pelos exportadores brasileiros. É triste reconhecer: Michel Temer, atualmente, está mais para José Sarney do que para Itamar Franco. 
 
Quem sabe ele ainda consiga mudar este quadro. Do contrário, pobres de nós!
 
 
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