Em documentos apreendidos pela Polícia Federal e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) foram descobertas conversas entre o presidente afastado da Câmara de Ribeirão Preto, Walter Gomes (PTB), e a filha dele, Gislaine, em que ela reclama do salário que receberia.
O material apreendido é parte da operação Sevandija, que investiga se a prefeitura usava o Coderp (companhia de desenvolvimento) para contratar a Atmosphera, por meio de licitações fraudulentas, abrigando funcionários terceirizados. Esses funcionários deveriam ser contratados por concurso público, mas eram indicados por aliados da prefeita Dárcy Vera (PSD), segundo o site da Folha de S. Paulo.
Assim que a operação foi deflagrada, Dárcy Vera rompeu o contrato com a Atmosphera e todos os funcionários da empresa estão cumprindo aviso prévio. Na conversa obtida pela Polícia Federal e pelo Gaeco, Gislaine reclama com o pai sobre o salário destinado a ela. Ela foi indicada para a função de monitora de escola na Secretaria da Educação e receberia R$ 1.600. O pai, Walter Gomes, diz que o valor é de R$ 1.900, além de um tíquete.
O diálogo foi transcrito abaixo:
Gislaine: Nossa, paizinho, ganhar R$ 1.600?
Walter: R$ 1.900, mais o tíquete.
Gislaine: R$ 1.900, desconta, sai R$ 1.550.
Walter: Minha filha, então vai ganhar R$ 800 pra limpar casa, tá, enquanto todo mundo está pedindo pra arrumar um [emprego], pra você R$ 2.000 é pouco.
Gislaine: Não é R$ 2.000, paizinho.
Walter: Com o tíquete, dá mais de R$ 2.000.
Gislaine: Sai R$ 1.550 o salário, com desconto, e R$ 500, o tíquete.
Walter: Tá ruim, minha filha, tem só umas 3.000 pessoas querendo isso aí.
Gislaine: Então, eu ganho R$ 3.000 sem trabalhar, agora vou trabalhar o dia inteiro para ganhar R$ 1.500?
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