Restrições em acesso, espaço de menos no horário eleitoral, tempo curto de campanha, nada de dinheiro. Se tornar conhecido e levar as propostas até os eleitores é um desafio para os candidatos. As visitas às empresas são uma aposta para chegar ao maior número de pessoas possível e se tornaram agenda obrigatória nos comitês de campanha em Franca. Nos dias que antecedem as eleições, o chão das fábricas de calçados se transformou em palanque dos prefeitáveis.
Mesmo sendo o candidato mais conhecido e já tendo sido prefeito por três vezes, Sidnei Rocha (PSDB) não abre mão deste compromisso e visita pelo menos uma empresa todos os dias. “A vida inteira, desde que sou político, eu visitei as fábricas. O contato é muito rápido, mas é uma forma de você se aproximar da população, pois, durante as visitas, ouço os problemas que as pessoas estão vivendo. É uma possibilidade de conhecer mais de perto as demandas”.
Estreante em campanhas eletivas e rosto novo na disputa, Flávia Lancha (PMDB) bate o ponto todos os dias nas empresas para se apresentar e pedir votos. “Essas visitas têm dois lados positivos: primeiro, fazem com que as pessoas me conheçam. O olho no olho é onde a pessoa me ouve e tem a oportunidade de dar a opinião dela. Por outro lado, esse contato vai abrindo muito mais a minha visão sobre a cidade, quais são os maiores problemas e anseios. O contato aumenta ainda mais a humanização”, disse ela.
Durante a campanha para deputado, em 2014, Doutor Ubiali (PSB) pediu votos no chão da fábrica. O candidato está repetindo a estratégia agora. “Tenho feito várias visitas todos os dias. A receptividade é muito boa. A única dificuldade é que você não pode explicar o plano de governo. O tempo é curto e falamos uma ou duas frases. Isto limita um pouco a possibilidade de esclarecer as propostas. Mas o contato com as pessoas é fundamental. As visitas são uma forma de complementar a divulgação”, afirmou.
Thiago Rodrigues, do PSol, disse que vem de uma família de sapateiros e que começou a trabalhar em bancas de pesponto como colador de peças. Ele pretende voltar às fábricas, agora como candidato, mas ainda não foi possível cumprir a agenda por conta de um problema que não tem relação com a campanha. “O único impeditivo, é que meus materiais de divulgação estavam no meu carro que foi roubado. Tivemos que mandar fazer mais e ainda não ficou pronto.”
Do lado de fora
O ex-prefeito Gilmar Dominici (PT) sempre visitou fábricas nas campanhas anteriores que participou. Desta vez, ele optou por não entrar nas empresas.
“A lei eleitoral diz que o candidato não pode ter relação com a iniciativa privada. Se uma fábrica deixar um candidato entrar e outro não, isto pode ser entendido como interferência do poder econômico no processo eleitoral. Para não correr riscos, vamos seguir as observações feitas pelo jurídico. Nossa intenção é fazer visitas e distribuir folhetos nas portas das fábricas”, disse o candidato petista.
Gilson de Souza (DEM) não foi encontrado para falar a respeito de sua estratégia.
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