Quem anda hoje por Franca conta com referências mínimas da História do Município em sua zona urbana. Restam poucas construções que remontam mesmo ao século passado, principalmente no centro da cidade, substituídas por modernos prédios que abrigam galerias comerciais ou lojas. No local de maior movimento, formado pela praça Nove de Julho e ruas adjacentes, sobra apenas o prédio dos Correios e uma ou outra residência que resistem ao tempo e à sanha desenvolvimentista. Sempre se cobrou uma atenção maior aos marcos históricos de Franca: dos primórdios do século, resta apenas o prédio do Museu Histórico (que já foi Prefeitura, Câmara de Vereadores e Cadeia) completamente abandonado, o qual está por merecer, há décadas, uma série de obras restauradoras que lhe preservem o acervo e o bem estar de funcionários e frequentadores. Já o Colégio Champagnat, merece ser melhor aproveitado e, caso não seja, pode ter o mesmo destino.
Como se vê — e basta uma olhada no acervo do Comércio para se ter certeza —, o francano não se preocupa com o passado, negligenciando por completo o seu futuro. Nas duas últimas décadas, diversos prédios que poderiam ser considerados históricos vieram abaixo ou foram totalmente descaracterizados, como o prédio que abrigou a AEC (Associação dos Empregados no Comércio) na esquina da rua General Carneiro, reformado, transformado em loja e que hoje encontra-se abandonado. Quem anda pela rua Ouvidor Freire, no centro, não a reconhece mais, principalmente nos quarteirões entre a General Carneiro e a Marechal Caxias. As intervenções foram muitas e drásticas, repetindo-se em outros pontos do centro da cidade. Só resta, firme, o prédio do Centro de Saúde, outro que está por merecer reformas e melhorias.
O fim do quase centenário Hotel Marconi, de muitas histórias, é mais um fato que confirma a falta de compromisso que Franca tem com o seu passado. Pouco resta daquela que já foi considerada a Atenas da Mogiana. O crescimento urbano cobra um preço caro que o francano hoje paga, sem conhecer suas raízes e os marcos que deveriam ser ressaltados. Faz-se como em muitas cidades históricas brasileiras, quando o Poder Público permite que verdadeiros monumentos arquitetônicos são relegados ao abandono até o ponto da demolição, para dar lugar a prédios modernos e, em grande parte, voltados para o comércio. É um triste sinal dos tempos que estamos vivendo. Chegamos a um ponto sem volta, condenados a apagar o nosso passado a golpes de marreta e martelos hidráulicos.
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