O caos deve se instaurar nas agências bancárias nesta semana de pagamento e feriado. Após quatro rodadas de negociações malsucedidas e assembleias com os trabalhadores, os sindicatos dos bancários de todo o país decidiram pela deflagração de greve, que se inicia hoje em Franca e região. Segundo o órgão que representa a categoria local, a paralisação foi aprovada pela maioria dos representados que participaram de um encontro, na última quinta-feira.
“Vamos paralisar porque não houve acordo. A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) fez uma proposta de reajuste de 6,5% nos salários e vales alimentícios mais um abono de R$ 3 mil a ser pago em uma única parcela”, disse o secretário de comunicação do Sindicato dos Bancários, Rogério Marques. “Isso não corresponde nem mesmo à inflação que tivemos no período de setembro do ano passado a agosto deste ano, que foi de 9,5%. Essa proposta foi rejeitada logo na mesa de negociações.”
Ainda de acordo com ele, a pauta de reivindicações da categoria possui mais de cem cláusulas que envolvem o combate às metas abusivas, assédio moral, estabilidade no emprego e outras questões sociais. “Quanto à questão econômica estamos pedindo: reposição inflacionária mais um aumento real de 5%, valorização na participação dos lucros resultados e R$ 1.943 na soma dos vales alimentícios.”
Para os órgãos que representam a classe trabalhadora, a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), a Contec (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito) e os próprios sindicatos, as instituições financeiras têm condições de atender às reivindicações, mesmo com a crise econômica.
“Os cinco maiores bancos do país - Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander -, somente no primeiro semestre deste ano, obtiveram juntos um lucro de quase R$ 30 milhões”, disse Rogério. “O Brasil está passando por uma recessão econômica grande e os bancos não deixam de dar lucro. Para se ter uma ideia, os bancos cobrem suas folhas de pagamento somente com a cobrança de tarifas. Há alguns, cujas tarifas chegam a 140% da folha de pagamento. Quer dizer, paga a todos e ainda sobra dinheiro.”
A greve dos bancários se dará por tempo indeterminado. No ano anterior, no auge da paralisação, 60% das agências de Franca e 16 cidades da região deixaram de funcionar.
A reportagem tentou contato com a Fenaban para falar sobre a paralisação, mas os telefones disponíveis em seu site não foram atendidos.
Contas em dia
A dica para que os usuários de banco mantenham seus assuntos financeiros em dia é a busca por canais alternativos. Nos caixas de autoatendimento, por exemplo, é possível efetuar pagamentos de contas sem atrasos, realizar saques, transferências e até mesmo empréstimos, em casos de pré-aprovação.
Além disso, outras saídas são utilizar a internet, aplicativos de celular, e correspondentes bancários e lotéricas para a realização de serviços.
“É importante evitar o vencimento de contas porquê, neste caso, a mesma precisará ser paga dentro da agência e não há como garantir que haverá funcionário para atender”, alertou o secretário.
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