Morreu no dia 25 de agosto, às 2 horas, no Hospital São Joaquim/Unimed de Franca, reconhecido consultor da indústria de calçados nacional, Ivânio Batista, aos 74 anos. Portador do Mal de Chagas, enfrentou, por anos, graves problemas cardíacos. No último ano, apenado também pela idade, passou a conviver com crises respiratórias que lhe roubaram quase toda a qualidade de vida. Determinado, submeteu-se aos tratamentos prescritos, mas chegou aos últimos trinta dias de vida com apenas 20% de sua capacidade cardíaca.
“Internamos papai no dia 8 de agosto. Dia 15, com pequena melhora, recebeu alta, mas só ficou mais três dias conosco. Dia 19, voltou ao hospital e, de lá, não sairia mais. Fui privilegiado por Deus, que me concedeu estar com ele quando de sua partida. Quase sem poder se mover, sinalizou que queria levantar um pouco a cabeça. Praticamente o peguei nos braços. Disse, com a voz débil e quase inconsciente, duas frases. A primeira, ‘muito obrigado, Pai’. A segunda, dois minutos depois, último suspiro antes de partir, ‘Pai, que coisa linda’. Certeza que já enxergava o bem que Deus lhe reservava”, disse, emocionado, seu filho Ivan.
Deixou, viúva, a professora Schébina Ramos de Freitas Batista. Completariam em janeiro de 2017, Bodas de Ouro de casamento. Do enlace, três filhos (o administrador de empresas Ivan, casado com a cirurgiã-dentista Thaís; a cirurgiã-dentista Cláudia, casada com o advogado Clóvis Martinez, sócios-diretores de escritório de advocacia na área do Direito Imobiliário, em Brasília; o consultor financeiro Samuel, casado com a ge-rente de vendas Adriana, residentes em São Paulo), e quatro netos, Rafael, Lucas, Enzo e Mateo.
Nasceu em Ibiraci (MG). Schébina, em Patrocínio de Minas (MG). As famílias de ambos fixaram residência em Franca em busca de escola e oportunidades de trabalho. Aqui, se aproximaram. “Meu pai sempre contou que conheceu e se apaixonou por mamãe quando ela tinha 13 anos. Começaram a namorar quando ela fez 15”, disse Ivan. Casaram-se em 1967. Ela era professora formada no EETC. Conseguiu vaga, por concurso, na capital paulista. “Sofria porque tinha que passar longos períodos longe de nós, mas tudo se arranjou quando foi transferida para cá. Prestou novo concurso e passou a atuar como supervisora na Delegacia de Ensino de Franca. Também, exercia docência no Pestalozzi. Hoje, apesar de aposentada, continua lá, como Coordenadora Pedagógica. Meu pai foi representante comercial do Curtume Brasitânia, de Mogi das Cruzes, em Franca. Depois, trabalhou na MSM e no Curtume Progresso, da família Sábio de Mello. Fez grande amizade e ganhou o respeito do industrial Wilson Sábio de Mello, pela capacidade de análise seto-rial que papai possuía. Não à toa tornou-se diretor exe-cutivo do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca”, disse Ivan.
Ivânio rapidamente se tornou um dos analistas mais consultados do setor. Conquistou a confiança de ministros e ministérios. Também, de federações e entidades como a Fiesp e a Abicalçados. Foi porta-voz do setor calçadista, fonte de informações obrigatória de meios de comunicação econômicos nacionais e internacionais. Nunca descansava. Seus dados, atuali-zados diariamente com fontes muito bem posicionadas, estavam sempre disponíveis. Quando julgou que precisava conhecer mais sobre Direito, não pensou duas vezes. Ingressou na Faculdade de Direito de Franca e se tornou bacharel. Integrou dezenas de comitês setoriais e foi, por quase 20 anos, ouvido antes da tomada de posições estratégicas pelo setor.
Aposentou-se no Sindifranca. “Dedicou-se, a partir daí, só à família, como sempre quis. Tornou-se avô do mesmo naipe de pai insubstituível que foi para nós. Adorava esportes. Ensinou-nos a nadar. Não sei a quantos jogos de futebol assistimos juntos. Outra de suas virtudes, o bom humor, o fez conquistar amigos por onde passou. De sorriso - e gargalhada - fácil, não havia quem não o quisesse sempre por perto. Quando lhe contamos que seria avô, quase surtou. Passou a dizer que finalmente poderia fazer com um neto, o que, como pai, não pode fazer com os fi-lhos: ‘a filho a gente não concede tudo, senão os estragamos. Com neto, a gente pode. Se estragar, que os pais ‘se virem nos trinta’. Escondia chocolate e refri-gerante para dar ao Rafael; deitava e rolava com ele. Foi muito feliz. Tive a chance de lhe dizer, antes de perdê-lo, que queria ser, ao menos, 10% do homem bom e importante que ele foi”, concluiu Ivan.
Ivânio foi velado no São Vicente de Paulo. Todos os polos calçadistas nacionais se manifestaram à família. Foi sepultado no Cemitério da Saudade, dia 25.
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