A Pátria que queremos


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As comemorações do aniversário da nossa Independência não deixam de nos aguçar ansiosas reflexões sobre o Brasil desejável. Diante de tanto desmando, tanto ‘salve-se quem puder’, da desigualdade social, do ‘levar vantagem a qualquer custo’, da corrupção desenfreada, ninguém duvida de que não somos quem deveríamos ser. 
 
A legítima pressão democrática haveria de ser aquela que fizesse presente a efetiva realização do ensebado ideal do ‘Brasil país do futuro’, ao invés de continuar resignadamente acomodada no berço esplêndido da riqueza concentrada em detrimento da justiça social. 
 
Poderosos que dizem ser ‘Deus brasileiro’, por certo, referem-se a Ele como protetor dos materialmente privilegiados, porque agem com desprezo aos colaboradores da produção. São estes os eternos prejudicados pela precariedade na saúde e na educação públicas. 
 
Mas, Deus é Pai de todos e, diante de Suas leis, somos, todos, justamente, iguais. Daí, a certeza de Sua Justiça generalizar aplicação sobre os que entendemos serem ‘vítimas’ e ‘algozes’, segundo os méritos de cada um, isto é, na medida do bom ou do mau uso que fazemos da divina e misericordiosa concessão do livre-arbítrio. 
 
Há os que tentam justificativas, argumentando que, no Brasil, todos os inconvenientes éticos e morais, principalmente os que desembocam na prática da corrupção, têm origem na colonização pelos portugueses, sem outros interesses que não os de enriquecerem-se a qualquer custo, mas, com 194 anos de vontade própria, continuamos um Brasil moralmente enfermo, inobstante a riqueza a propor esvaziar-lhe as causas de tão aflitiva situação. 
 
É certo que a construção de um país depende, necessariamente, do esforço individual de todos os seus habitantes. Todavia, a ninguém é dado duvidar de que é da honestidade na condução dos seus destinos, sob a garantia de saúde e educação, é que resultam progresso, segurança e tranquilidade. 
 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
 
 
 

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