O bispo da Diocese de Franca, Dom Paulo Roberto Beloto, confirmou ontem, 2, a existência de um estudo sobre possíveis transferências de padres em Franca e região, conforme rumores existentes nessas cidades.
Dom Paulo fez questão inclusive de frisar que mudará principalmente padres que estão há mais tempo em uma mesma paróquia. O anúncio oficial ocorrerá em 2017, provavelmente em fevereiro.
As conversas em torno de prováveis alterações no clero diocesano começaram em julho e vêm ganhando maior vulto nos últimos dias. Na Catedral Nossa Senhora da Conceição, em Franca, um grupo de paroquianos começou a se movimentar com um abaixo assinado a fim de evitar a saída do padre José Geraldo Segantin. O documento tem percorrido missas, terços e outros encontros paroquianos a fim de colher o maior número de nomes. O bispo também afirmou ter recebido outra solicitação com três mil assinaturas de fiéis de Guará que não querem a transferência do pároco, padre Welington Eustáquio de Oliveira.
Nas rodas de bate papo aos finais da celebração, o assunto é que a mudança já está sendo estruturada e envolverá os principais padres da diocese, muitos deles há mais de seis anos na mesma localidade. Nem mesmo padres com mais de uma década de serviço em uma paróquia seriam poupados.
Na manhã de sexta-feira, Dom Paulo disse existir, sim, um planejamento para a troca de padres com foco nos que estão há mais tempo em uma mesma igreja. Ele declarou porém, ainda não ter nada definido sobre o futuro de cada um e que conversará com calma com os envolvidos. Apesar de não revelar nomes, os indícios apontam que os padres José Geraldo, da Catedral; Ovídio de Andrade, da Paróquia São Sebastião e Reinaldo Ferreira, da Paróquia Santo Antônio, todos de Franca, são alguns dos cotados para serem transferidos.
“Existe, sim, a intenção, são transferências normais que discutiremos com o Conselho de Presbíteros na reunião de outubro. Enquanto isso, ouvirei os padres para saber da disponibilidade”, disse o bispo.
Para as mudanças, o bispo se baseia no Código de Direito Canônico que coloca “o bem das almas ou a utilidade da Igreja” como normas para uma transferência. Ele frisa também não existir na diocese, um tempo determinado para o ofício de pároco ou vigário. “O padre deve realizar-se naquilo que faz. Deve ser feliz no seu ministério. Mas não pode se apegar a cargos, títulos e honras. Não se procura poder, prestígio, fama e compensações no ministério sacerdotal”.
O bispo fez questão de frisar que não fará as mudanças por capricho e lembrou a obediência como um valor sacerdotal prometida durante a ordenação. “Pela natureza do seu ministério, ele está a serviço de Cristo e da Igreja. É pelo bem da Igreja que o presbítero promete obediência. Daí a disponibilidade para acolher os encargos que lhes foram confiados, justamente indicados pelos superiores e se não estiver legitimamente impedido”.
Sobre a reação dos fiéis, Dom Paulo amenizou e disse se sentir feliz com as manifestações a favor dos padres. “Antes receber um grupo de pessoas pedindo para o padre ficar. Seria triste, se eles estivessem colhendo assinaturas para tirar o padre”, disse.
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