Onze pessoas foram presas e nove vereadores tiveram os mandatos suspensos na maior operação contra a corrupção da história de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo). Entre os detidos estão secretários da prefeita Dárcy Vera (PSD), que também teve sua casa e gabinete vasculhados por policiais.
A ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público paulista e da Polícia Federal, chamada de Sevandija -que significa "pessoa que vive à custa alheia"-, foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (1º), com o cumprimento de 13 mandados de prisão temporária, 17 de condução coercitiva e 48 de busca e apreensão.
Foram presos o secretário da Administração, Marco Antônio dos Santos, homem-forte do governo Dárcy e presidente do diretório do PSD na cidade, e Angelo Invernizzi, titular da Educação.
Dois advogados, dois funcionários da Coderp (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto), um servidor do Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto) e empresários também foram detidos.
A investigação do esquema começou em 2015, com uma licitação suspeita de R$ 26 milhões para a aquisição de catracas para escolas. Mas o montante fraudado chega a R$ 203 milhões, segundo a operação.
Em 2012, reportagem da Folha de S.Paulo apontava que duas empresas administradas pela mesma pessoa disputaram entre si ao menos seis licitações, vencendo quatro delas, na Coderp, desde 2009, início do governo Dárcy Vera.
Na Coderp, a apuração mostrou fraudes na contratação de empresas para a manutenção das catracas escolares e na terceirização de mão de obra, segundo o promotor Marcel Zanin Bombardi.
Uma empresa contratada pela companhia se encarregava de admitir pessoas, em geral indicadas por vereadores e agentes públicos. "Os vereadores tinham direito de indicar e, em contrapartida, garantiam apoio ao governo municipal, na Câmara", disse.
Em 2012, uma empresa foi contratada de forma fraudulenta, segundo a Promotoria, para a terceirização de mão de obra por R$ 7 milhões, por 12 meses. O contrato tem sido renovado anualmente, cada vez por valores superiores.
Nove vereadores envolvidos foram conduzidos coercitivamente para prestarem depoimento à PF: Samuel Zanferdini, Bebé e Genivaldo Gomes (PSD), Cícero Gomes da Silva (PMDB), Walter Gomes e Giló (PTB), Maurilio Romano (PP), Capela Novas (PPS) e Saulo Rodrigues (PRB).
Todos concorrem à reeleição e poderão seguir em campanha, mas tiveram a função pública suspensa e não podem frequentar nenhum prédio público.
A PF informou ter apreendido R$ 320 mil, em euros, dólares e reais, além de 12 veículos de luxo no cumprimento dos mandados de busca e apreensão. A Justiça determinou o bloqueio dos bens dos envolvidos.
No Daerp, um servidor teria sido indicado ao cargo para viabilizar fraudes. Um contrato de R$ 68 milhões, por exemplo, com os aditivos, chegou a R$ 86 milhões.
Teria havido, ainda, pagamento de propina para honorários advocatícios.
De acordo com o promotor Leonardo Romanelli, foram pagos até aqui mais de R$ 300 milhões aos servidores e R$ 40 milhões em honorários, de um total de R$ 800 milhões previstos.
"As ações já tinham sido julgadas e o dinheiro era devido de qualquer forma. Não há indício de que tenha havido algo ilícito. A fraude estava na forma de pagamento dos honorários. Somam mais de R$ 1 milhão mensais", disse.
"Para que sejam liberados, advogados pagavam aos agentes públicos responsáveis pela liberação do valor um montante em propina." O valor da propina está em apuração, segundo ele.
A apuração concluiu que as fraudes existiam desde 2012. Sobre a prefeita, promotores disseram que fatos que possivelmente a envolvem foram levados ao conhecimento do Tribunal de Justiça, onde tramita.
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