A tentativa frustrada do ex-presidente da empreiteira OAS, José Aldemário Pinheiro, Léo Pinheiro como é conhecido, de reduzir a sua eventual pena por participação no ‘Petrolão’, com homologação de um acordo de delação premiada, causou um ‘baita’ estrago na imagem de alguns políticos do PSDB e do PT.
Segundo reportagem da revista Veja, o referido empresário teria declarado que pagou propinas que seriam destinadas ao Secretário de Transporte, Dário Lopes; e ao diretor de Engenharia da Secretaria de Transportes, Mário Rodrigues, ambos integrantes de governo de José Serra, visando viabilizar para a sua empresa, a construção do trecho Sul do Rodoanel.
Também, segundo a mesma fonte, teria havido pagamento de propina a um operador do esquema tucano em Minas Gerais, durante o governo de Aécio Neves, visando a construção da Cidade Administrativa, reconhecida como a maior obra de Aécio enquanto governador daquele Estado.
Léo Pinheiro também implica o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do ‘triplex do Guarujá’ e de sítio situado em Atibaia (SP). Também a presidente afastada - e ontem apenada com impeachment pelo Senado, mantendo apenas seus direitos públicos -, Dilma Rousseff, com repasses para o caixa ‘2’ de campanha dela à presidência da República.
Obviamente, todos os envolvidos pelo empreiteiro negam o que se lhes imputa. Considerando, por hipótese, como verdadeiras as acusações de Léo Pinheiro, há que se reconhecer que pagamento de propina a agentes políticos para alcançar êxito em licitações, faz parte, infelizmente, da tradição brasileira, e não é algo que só o PT tenha exclusividade.
A novidade está nos modernos instrumentos de investigação. Também, na, atuação firme da Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas e parte do Judiciário, que fazem com que fatos encobertos sejam, finalmente, escancarados ao público. Como se vê, o ‘vento que venta lá, venta cá’.
SETÍMIO SALERNO MIGUEL
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
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