'Escolhemos os casos mais urgentes para atender'


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Banco de Leite Humano da Santa Casa de Franca precisa de doadoras de leite para conseguir ajudar crianças que necessitam
Banco de Leite Humano da Santa Casa de Franca precisa de doadoras de leite para conseguir ajudar crianças que necessitam
O ato dura alguns minutos, mas sua consequência pode salvar vidas. Diariamente, o Banco de Leite Humano da Santa Casa realiza a coleta do alimento que auxilia na recuperação de bebês com estado de saúde delicado, que precisam das doações para aumentar suas chances de sobrevivência. “São, em média, 13 crianças atendidas diariamente pelo banco. Além das internações da nossa UTI Neonatal, atendemos aos outros hospitais da cidade”, disse a enfermeira responsável pelo Banco, Ana Luiza Elias de Castro. 
 
De acordo com a profissional, embora o Banco de Leite local tenha recebido certificado ouro da Secretaria de Saúde pela boa qualidade de seus equipamentos e atendimento, a busca por doadoras ainda é grande. “O necessário, para atender bem a demanda que temos, seria cerca de 70 litros de leite por mês. Mas, para se ter uma ideia, no último mês tivemos no estoque 27 litros”, afirmou. “Às vezes, temos de escolher os casos mais urgentes para atender porque não temos leite suficiente para socorrer a todos.”
 
Pelo baixo estoque, são priorizados, geralmente, bebês com síndromes, que passaram por cirurgias e os prematuros. Neste último caso, os sistemas digestivo e respiratório não estão maduros o suficiente para receber fórmulas como alimento e o organismo pode não ser capaz de absorver os nutrientes necessários para a recuperação da criança. O leite materno torna-se fundamental.
 
“O leite materno possui anticorpos que auxiliam no progresso da criança e até protege contra infecções. É comprovado que com o aleitamento materno a criança apresenta menos risco de problemas respiratórios”, afirmou Ana Luiza.
 
A professora de educação física Aline Capel viveu as duas pontas da doação. Com um parto prematuro, seu filho precisou utilizar o banco de leite em seus primeiros dias de vida. “Passei a fazer a coleta na Santa Casa, mas meu filho não podia se alimentar do meu leite ainda. Quando pude amamentá-lo, me coloquei no lugar das mães que passavam pelo que passei e continuei a doar”, afirmou ela, mãe de uma criança de seis meses. 
 
Ainda de acordo com Aline, sua produção foi estimulada pela amamentação e outros benefícios vieram com a coleta. 
 
“A doação aliviava o excesso do meu seio e a pega da amamentação melhorou. Além disso, eu sinto satisfação em doar. É um ato de amor. É bom saber que você pode ajudar a crianças que precisam.”
 
Como doar leite materno
Mães em fase de amamentação que consigam atender à demanda dos próprios filhos e que tenham leite excedente, ainda que em baixa quantidade, podem doar. “Qualquer quantidade é bem-vinda porque temos, por exemplo, bebês prematuros que ingerem 1 ml a cada três horas. Ou seja, 10 ml já são uma grande ajuda para o banco e não sacrifica a mãe ou seu bebê”, disse a enfermeira. “É um tabu dizer que a doação prejudica a alimentação do lactente (bebê que mama) porque doar estimula a produção.”
 
A doação pode ocorrer no próprio Banco de Leite, que fica na Santa Casa de Franca, como em casa, pela própria mãe. Neste caso, uma equipe do Banco passa na residência, sempre às quartas e quintas-feiras, para fazer a coleta do leite. “Nós explicamos como a coleta deve ser feita, em casa, para não haver contaminação”, disse ela.
 
O Banco de Leite Humano da Santa Casa de Franca funciona de segunda a sexta-feira, das 7 às 12 horas e das 13 às 18 horas, e aos sábados, das 7 às 10 horas e das 13h30 às 17h30. Outras informações e detalhes sobre como se tornar uma doadora podem ser obtidas pelo telefone (16) 3711-4121.

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