Na semana em que o julgamento final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff se aproxima de sua conclusão em Brasília, a importância da figura do vice no jogo político fica sob os holofotes. A evidência de que vice não é crucial somente para arregimentar votos e tempo no horário gratuito da propaganda eleitoral ganha peso, e a história recente do Brasil prova que é preciso dar muita atenção às escolhas na hora do voto.
Em Franca, os candidatos a vice-prefeito têm perfis contrastantes, com idades que variam de 22 a 61 anos e profissões bem distintas. Confira quem são eles.
O candidato a vice-prefeito da chapa encabeçada por Ubiali (PSB) é o empresário J.C Carvalho (PHS). Com 61 anos e pai de três filhos que têm entre 29 e 35 anos, ele fez carreira como empresário atuando como empreendedor em diferentes segmentos, incluindo laboratórios, farmácia e loja de cosméticos. Paralelamente à profissão, ele conta que já participou (na diretoria ou como apoiador) de diversas instituições filantrópicas e de apoio a sociedade de Franca. Carvalho afirma que sua relação pessoal com a alta cúpula estadual do PHS fomentou um convite para ser líder do partido na cidade em 2013. “Agora houve o convite para me tornar candidato a vice, houve um entendimento e me coloquei à disposição”, disse.
João Rocha (PDT), vice da candidata a prefeita Flávia Lancha (PMDB), é formado em história pela Unesp de Franca e bacharel em direito. Aos 59 anos, pai de três filhas e avô de dois netos, ele tem longa trajetória na vida empresarial. Teve indústria de calçados, atuou no setor automotivo e sempre se dedicou à área de construção civil.
A incursão pela política começou cedo, ainda no diretório acadêmico da universidade. Ao longo da vida profissional, foi secretário municipal de agropecuária, indústria e comércio; chefe de gabinete; assessor de relações públicas. A estreia em cargos eletivos aconteceu em 1982, quando se candidatou a prefeito, mas não se elegeu. Seis anos adiante, foi eleito vice-prefeito na chapa de Maurício Sandoval. Agora, em 2016, após um longo hiato, retorna à concorrência pela administração da cidade. “A função do vice não se resume à expectativa de vir a ser prefeito. Embora eu tenha sido prefeito interino algumas vezes, acho que é importante contribuir de forma efetiva e com trabalho real junto com o prefeito.”
O PT, com chapa encabeçada por Gilmar Dominici, apresenta como vice o professor de história formado pela Unesp Carlos Amorim, de 36 anos. Casado e pais de três crianças entre 2 e 6 anos, ele tem como base de sua trajetória profissional a dedicação ao setor de educação. Ele empreendeu na área e administra escolas de cursos preparatórios para vestibulares e concursos públicos, além de cursos de informática, línguas e de outras vertentes.
Na política, ainda que não a partidária, passou a desenvolver atividades por meio do movimento estudantil. A filiação ao PT aconteceu em 2003. Nas Eleições de 2004 e 2008, Amorim pleiteou, sem sucesso, uma cadeira na Câmara. Desta vez, disputa junto com o ex-prefeito Dominici o retorno petista à Prefeitura de Franca. “Esse é o momento mais crítico da história do partido em 36 anos. Nesse momento em que muitas pessoas, lideranças circunstanciais, se afastaram, o partido buscava nomes que teriam condição de fazer um debate público. É neste momento que o partido precisa de mim, o PT está buscando renovar os interlocutores junto à comunidade.”
A coligação “Uma Franca bem melhor”, encabeçada por Gilson de Souza (DEM), traz como candidato a vice-prefeito o Professor Frank, também do DEM. Ele é solteiro, tem 37 anos e é formado em direito. O GCN tentou contato com ele na manhã de ontem para obter mais detalhes sobre sua trajetória, mas seu celular estava desligado.
Candidato a vice-prefeito na chapa do PSol, o francano Thales Eduardo Riquette (PSol) tem uma peculiaridade: ao lado de outros três candidatos (estes a vereador) representa a parcela de 1,6% de participantes que têm menos de 25 anos.
Aos 22 anos, solteiro e sem filhos, o estudante de odontologia afirma que se filiou ao partido há cerca de um ano e meio, se engajou na ideologia proposta pelo grupo e decidiu aceitar o convite para ser candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Thiago Rodrigues, do mesmo partido. “A política precisa de novos pensamentos”, diz ele, ao afirmar que a grande bandeira é lutar em prol das minorias da sociedade que precisam de mais representatividade.
A candidata Valéria Marson (PSD), da coligação Trabalho de Resultados, vice de Sidnei Rocha (PSDB), é a única com cargo eletivo na atual gestão. Em 2012 ela se candidatou a uma vaga na Câmara e se tornou a vereadora mais votada na ocasião. Com 57 anos e mãe de dois filhos, a arquiteta tem experiência no setor público. Ela trabalhou na prefeitura na gestão de Sidnei Rocha (de 1983), atuou em sua área de formação também na iniciativa privada e retornou para o poder público em 2005, passando a exercer cargos como secretária de obras e de planejamentos urbanos, além de estar à frente da Prohab (Programa Pró-habitação de Franca).
Marson afirma que o cargo de vice-prefeito é, acima de tudo, de parceria. “O vice tem que estar junto com o prefeito, fazer uma gestão em conjunto. As decisões são do prefeito, mas o acompanhamento do vice e a troca de ideias são importantíssimos.”
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