Mulher ganha a vida matando traficantes na guerra contra drogas


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A guera travada pelo governo das Filipinas contra as drogas fez com que surgissem matadores de aluguel, que executam traficantes.

Uma das mulheres contratadas para matar traficantes foi entrevistada pela BBC. A reportagem escolheu chamar a mulher pelo nome de María, para preservar a identidade dela. María nem de longe parece uma assassina. A mulher de estatura pequena e com um bebê nos braços não levanta suspeitas. María é parte de um grupo de 3 mulheres que são bastante valorizadas por conseguirem se aproximar das vítimas sem levantar suspeitas.

O marido de María também é assassino e a família vive em um bairro pobre de Manila. Antes de virarem matadores de aluguel, María e o marido não tinham renda fixa. Agora, por cada assassinato o casal recebe US$ 430 (aproximadamente R$ 1.380). Apesar do ganho, María pretende deixar a vida de assassina. Caso sejam descobertos, ela e o marido correm risco de morte.

Enquanto era candidato à presidência das Filipinas, Rodrigo Duterte alertou os narcotraficantes: "Não destruam meu país, porque os matarei". Após ser eleito, Duterte manteve seu discurso defendendo os assassinatos extrajudiciais. "As vidas desses dez criminosos realmente importam? As vidas de cem idiotas assim significam alguma coisa?", afirmou o presidente.

Apesar de dizer que o intuito é combater a indústria de entorpecentes, as pessoas assassinadas são as de classes sociais mais baixas. É justamente nas áreas mais pobres que surgem os corpos ensanguentados, geralmente acompanhados de cartazes alertando a população para que não se envolvam com drogas.

A BBC também entrevistou um traficante. Roger (nome fictício para preservar a identidade dele) contou ter começado a traficar para manter seu próprio vício em drogas. Ele declara que já trabalhou com policiais corruptos, que entregavam a ele os entorpecentes apreendidos para que Roger os vendesse. Atualmente, o traficante está em fuga, mudando de um lugar a outro, para evitar ser morto. "Não consigo me livrar do medo que carrego no peito todo dia, toda hora. É aterrador e exaustivo ter de me esconder sempre", admite Roger.

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