‘A crise é um monstro do bem’, afirma Geraldo Rufino


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Geraldo Rufino: de catador de lixo a empresário milionário
Geraldo Rufino: de catador de lixo a empresário milionário
Com uma história de vida e superação surpreendente - ele “quebrou” seis vezes e hoje é um empresário bem sucedido, com seus negócios faturando R$ 50 milhões por ano -, Geraldo Rufino, o Catador de Sonhos, estará em Franca nesta terça-feira, 30, para uma palestra no Castelinho. Proprietário da JR Diesel, empresa especializada em desmanche de caminhões, ele concedeu essa entrevista exclusiva à Insight, onde revela que seu espírito empreendedor já o acompanha desde a infância. Os últimos ingressos para o evento podem ser adquiridos pelos telefones: (16) 3721-2175 e 99192-0417.
 
Você teve uma infância e adolescência difícil. Conte-nos um pouco dessa sua experiência. 
Não diria que minha infância foi difícil, diria que foi comum, porque muitos brasileiros passam por isso. Sou natural de Minas e mudei para a favela em São Paulo com quatro anos de idade porque meu pai já havia perdido a roça lá. Meus brinquedos eram carrinhos puxados por ratos que pegávamos. Minhas irmãs trabalhavam de doméstica, minha mãe de diarista, meu pai de servente de pedreiro. Mamãe faleceu eu tinha 7 anos, com 8 anos fui trabalhar em uma fabriquinha de carvão, fiquei lá um ano. Depois vi uma oportunidade de trabalhar em um aterro catando latinhas, mas não vi dificuldade nisso, pois lá era tudo de bom, porque além de catar latinhas pra vender eu achava restos de comida, ainda aproveitáveis, achava carrinhos faltando rodas, que eram muito melhores do que os eu tinha na roça, e lá eu vi outra oportunidade, de ter o meu primeiro negócio junto com meu irmão, vendendo quantidade maiores de latinhas para reciclagem. Ganhamos um dinheirinho, mas como não tínhamos instrução, enterrávamos o dinheiro para guardar. Alguém achou, perdi o dinheiro e quebramos pela primeira vez, o que já nos ajudou a acordar para a vida. Aos 13 anos, arrumei um serviço de office boy no Playcenter. Com uns 15 anos, tive uma oportunidade de deixar de ser office boy para vender pipoca. Com 22 anos já tinha um departamento para cuidar, com 360 colaboradores.
 
E como surgiu a JR Diesel? 
Sempre que eu fui empreendendo, nunca deixei de pensar no próximo. Tenho, de verdade, de coração, essa preocupação, que aprendi muito cedo com minha mãe. A partir de quando meu salário foi melhorando, comecei a ajudar minha família. Como eu ajudava? Ajudava dando oportunidades para eles empreenderem junto comigo, seja através de um caminhão, uma Kombi, um boteco... Isso foi até nós chegarmos num ponto em que tínhamos seis caminhões, perdemos, compramos dois maiores, que também perdemos em outro acidente, desta vez eles ficaram irrecuperáveis. Para manter minha credibilidade, fui vender os pedaços dos caminhões para pagar os carnês. Daí surgiu um negócio de vender peças, surgindo a JR Diesel. Isso foi em 1985 e eu continuava muito bem empregado e meus irmãos que estavam tocando o desmanche. Ganhamos um bom dinheiro, pensamos grande, até 1987. Daí o sucesso subiu à cabeça dos meus irmãos e o negócio quebrou. Então em 1987 tive que vir para fechar o negócio, pois ele estava em meu nome. Havia seis pessoas trabalhando comigo. Novamente pensando nessas pessoas, paguei as contas e resolvi manter o negócio aberto. 
 
Que dica você daria para os empresários que estão enfrentando adversidades no atual momento econômico? 
Diria para esses empresários fazerem uma reflexão, pedindo para eles saírem da neura da crise. Crise é uma neura, sempre existiu. Mas sem crise não há evolução. É um equívoco olhar a crise com um olhar negativo. Se não tivesse crise eu não teria tido as minhas primeiras oportunidades. É necessária a crise para haver mudanças, para ter evolução. A partir dela que o empreendedor novo pode ter a chance de ter seu espaço. Acostumaram a ver tanto a crise como um monstro que esqueceram que é um monstro do bem. 

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