‘Ouro’ em acolhimento


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Quando o time de refugiados adentrou o Maracanã, ovacionado pelos milhares que foram à abertura da Olimpíada Rio 2016, o Brasil garantiu a primeira e mais importante medalha da competição: ‘Ouro em Acolhimento’. A iniciativa de reconhecer e celebrar o esforço de atletas que se viram obrigados a abandonar seus países, perder contato com famílias e deixar suas vidas para trás, além de inédita, deixou clara a mensagem que o mundo moderno precisa entender: tolerância, aceitação, fraternidade.
 
O time dos refugiados teve dois nadadores sírios, dois judocas congoleses, um maratonista da Etiópia e cinco corredores de meia-distância do Sudão do Sul. Trouxeram ao Brasil trajetórias marcadas por conflitos que mudaram suas biografias e apenaram suas integridades física, psicológica e emocional, mas não os impediu de manter paixão pelo esporte. Realizaram o maior sonho de suas vidas: disputar uma Olimpíada. 
 
Impossível não se emocionar com a história da judoca Yolande Bukasa Mabika, que se separou da família quando sua vila foi bombardeada na República Democrática do Congo, há quase 19 anos. O sonho de medalha acabou na primeira rodada no dojô da ‘Arena Carioca 3’, mas o de encontrar sua família permaneceu e ganhou força. O esporte também mudou e salvou a vida da nadadora síria Yusra Mardini, em seus 18 anos. O 41º lugar na prova dos 100 metros ‘borboleta’ valeu mais que qualquer medalha. Há um ano, braçadas de Yusra e de sua irmã Sarah, salvaram a vida de, ao menos, 18 pessoas. Por três horas e meia, no Mar Mediterrâneo, puxaram barco que ameaçava afundar na travessia entre Turquia e Grécia, e que levava sua família e outros sírios à Europa. Segundo a ONU, o total de homens, mulheres e crianças forçadas a deixar suas casas em razão de conflitos ou perseguições atingiu a marca de 65,3 milhões em todo o mundo, em 2015. Equivale à população do Reino Unido. Foram representadas pelos dez atletas refugiados em esporte que não pode faltar na vida de nenhum ser humano: esperança. A lição deles e o acolhimento da Rio 2016 valem mais do que qualquer medalha. A mensagem que fica, não se pesa em ouro. Como disse o Papa Francisco em carta a eles enviada, ‘que a humanidade compreenda, por vocês, que a paz é possível e que, com a paz, pode-se ganhar tudo; enquanto, com a guerra, tudo se pode perder’. 
 
ROBERTO DE CARVALHO ENGLER PINTO: Aluno diferenciado do conhecido IEETC de outros tempos, tornou-se professor de Física e Matemática da escola a convite da direção. Teve que completar 21 anos para adequar-se à contratação. Fez aniversário em um 9 de agosto e, dia seguinte, sob a égide do diretor Júlio César D’Élia, estava ensinando Física. Acreditava-se que  direcionaria a vida à ciência e à pesquisa, mas rendeu-se à política. Eleito vereador, ocupou cadeira na Câmara. Na sequência, elegeu-se deputado estadual. Emendou sete mandatos consecutivos. O texto de hoje é dele. A exemplo do que era em sala de aula — entre conceitos de Ótica, Eletricidade, Cinemática, Estática e Dinâmica, encontrava tempo para preocupar-se com alunos quase tão jovens quanto ele — continua dono de mente lógica e olhar social. Identificou, na decisão de patrocínio do Comitê Olímpico Internacional ao time de refugiados, ação que, multiplicada, pode recolocar este mundo velho na quase esquecida estrada da paz, solidariedade e entendimento entre os povos.  Cabe como luva publicar Engler no momento em que ex-companheiros meus de IEETC, do final da década de 60, preparam encontro para matar saudade e reviver lembranças daqueles tempos que, infelizmente, mudaram a ponto de nos condenar a telas de celulares, sem olhos nos olhos e cada vez mais incapazes de demonstrar preocupação genuína com seja lá o que for. 
 
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 
 

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