A eleição para a Câmara de Vereadores de Franca está tão disputada quanto importantes vestibulares do país. Segundo dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 238 candidatos batalham por uma das 15 cadeiras disponíveis - o que significa dizer que são 15,87 interessados para cada vaga.
Para efeito de comparação, a concorrência equivale à registrada para ingressar no curso de engenharia da USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos no último vestibular da Fuvest, cuja relação ficou em 15,81 candidatos por vaga.
É importante registrar, no entanto, que na comparação com as eleições de 2012, a concorrência está menos acirrada: à época, havia 19,27 pretendentes por cadeira. Para o sociólogo e cientista político da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Bauru, Maximiliano Martin Vicente, a redução tem ligação com o arrocho da Justiça com as questões políticas. “As pessoas estão um pouco mais preocupadas com a Justiça, que está investigando as ações dos políticos mais de perto. Outra questão é o custo das campanhas, que está ficando muito caro. Chegar a investir R$ 15 mil, R$ 20 mil, no momento, para ser vereador, de repente não vale a pena.” A Reforma Eleitoral, que reduziu o número que cada partido pode registrar como candidato a vereador, também influenciou. No caso de Franca, onde a Câmara tem 15 cadeiras, era possível um partido lançar sozinho uma chapa com 23 nomes. Se fosse feita coligação, que é a união de duas ou mais legendas, o percentual era de 200%, ou seja, 30 candidatos. Agora, se um partido estiver sozinho ou coligado poderá lançar uma quantidade máxima de candidatos de 150% do número de vagas disponíveis. No caso de Franca, só 23.
Mesmo com a queda de 17,6% na concorrência de uma eleição para outra em Franca, a cidade ainda figura no topo da lista das que têm as câmaras mais concorridas. Atrás de Franca, aparece Itirapuã, cuja concorrência ficou em 10,78 candidatos/vaga, seguida de Restinga, com 10,22 por vaga.
Ainda no cenário regional, na outra ponta estão Ribeirão Corrente e Rifaina, onde cada cadeira das câmaras é disputada por apenas 4,22 candidatos.
Ao se analisar os dados da região, a questão da proporção entre o número de habitantes da cidade e a quantidade de cadeiras no Legislativo, obviamente, é o primeiro elemento influenciador na relação candidato/vaga. Mas há outros fatores que interferem nos interesses e nas decisões dos partidos e das pessoas ao se lançar um nome para a vereança.
Para Maximiliano, um dos pontos que precisam ser pensados é a intenção dos partidos ao lançar múltiplos candidatos. “Temos muitos partidos e é normal que eles queiram aparecer. A campanha divulga o partido e nenhum deles quer perder essa oportunidade”, disse. Ele observa que isso aumenta a necessidade de o eleitor desenvolver uma percepção política. “O ideal é que os eleitores pensem bem nas propostas que os candidatos estão apresentando para o município, analisem se há grandes diferenças entre elas, questionem se não daria para (tantos nomes) fazerem coligações que somassem forças (ao invés de tantos candidatos se lançarem na disputa) e então se decidam em que votar”, disse.
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