Consumo de carne cai e preço de laticínios dispara


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O preço do leite de vaca nos supermercados e padarias de Franca subiu 72% de janeiro a agosto deste ano, de acordo com o Ipes
O preço do leite de vaca nos supermercados e padarias de Franca subiu 72% de janeiro a agosto deste ano, de acordo com o Ipes
Com o custo da produção de gado em alta, os preços dos produtos de origem bovina deram um salto este ano nas prateleiras de açougues, supermercados e padarias de Franca. De acordo com uma pesquisa do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), do Centro Universitário Uni-Facef, que analisa mês a mês o valor de itens da cesta básica, o preço do leite subiu 72% de janeiro a agosto deste ano. O queijo muçarela fatiado ficou 38% mais caro no mesmo período e a margarina, 14%.
 
“A partir de algumas pesquisas que nós também fizemos, podemos dizer que houve uma queda na produção do leite”, afirmou a coordenadora do Ipes, Melissa Franchini Cavalcanti Bandos. 
 
O produtor rural Renato Maurício de Paula confirma essa diminuição e expõe algumas das razões que a provocaram. “Franca já foi uma bacia de leite muito grande, com altas produções e associação do leite, coisa que não existe mais. Com a falta de incentivo, os produtores foram migrando para atividades mais rentáveis e menos sofríveis, porque a produção de leite exige trabalho de domingo a domingo”, afirmou. “Além disso, o custo da produção, os insumos, subiram muito. Chegamos a pagar R$ 52 na saca de milho, um preço que eu nunca vi. Um preço bom seria R$ 25. Soma-se a isso, o período de seca e quem produz ‘a pasto’ também sofre a consequência na produção.”
 
Outros produtos bovinos que têm se comportado de forma diferente no mercado são a carne e o couro. De acordo com o Ipes, produtores e açougueiros ouvidos, o consumo de carne de vaca vem caindo desde o início do ano e, para tentar segurar o cliente, os estabelecimentos estão mantendo os preços e absorvendo o impacto do aumento. “Sentimos uma queda de 20% a 30% no consumo da carne bovina, neste ano. Mas, para não perder venda, a gente tenta manter a tabela de preços”, disse o açougueiro José Augusto Nogueira. 
 
“Nós também percebemos a queda no consumo da carne. Com a situação do mercado econômico, com o arrocho salarial e o desemprego, as famílias têm consumido menos carne, feito menos churrascos, acredito”, afirmou o produtor Renato de Paula.
 
Couro
O couro também apresentou alta. De acordo com curtumes ouvidos pela reportagem, o salto foi de 30% no fim do ano passado e 3% do começo do ano até aqui. “O valor agora se estabilizou, mas o aumento acaba se refletindo também no setor calçadista, porque é repassado às indústrias”, afirmou Nayara Costa, vendedora do Toinzinho Curtume.
 

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