Pedro era um menino que adorava correr. Mesmo tendo problemas em casa, era cercado por amigos e feliz. Seu sonho maior era conquistar uma medalha nas Olimpíadas, competição esportiva mais importante do mundo que reúne atletas de muitos países e aconteceu este ano no Brasil. Para alcançar seu objetivo, Pedro treinava muito. Como a vida é cheia de momentos bons e ruins, Pedro acabou passando por um que quase fez com que ele desistisse de seu sonho. É que ele caiu de uma árvore e não conseguiu mais andar.
“Depois do acidente, Pedro foi morar com a avó. Na casa dela, no porão, descobriu uma coisa mágica”, contou Maria Goret Chagas, autora de Paralímpicos: o sonho fantástico de um herói! (Editora Leader), livro que conta a história de Pedro. “Ele e Joca, seu cãozinho, notam algo estranho, pulsando debaixo de um lençol empoeirado fazendo barulho num dos cantos da garagem.”
Depois de puxar o lençol, eles descobrem uma cadeira de rodas velha e empoeirada. Mesmo assim, Pedro resolve se sentar e ela se transforma. “Cria asas coloridas, emana luz própria e pulsa com cores vivas e vibrantes”, disse Goret.
O final da história é emocionante. A autora dá a Pedro uma nova chance de felicidade, assim como ela teve. É que Goret, quando criança, não podia andar e nem movimentar os braços. Com muita persistência, ela conseguiu andar. Mesmo sem movimentar os braços, ela decidiu que queria pintar e desenvolveu o seu jeito. Usa a boca e os pés para isso. E deu supercerto! Ela faz lindas pinturas que viajam o mundo em exposições, cartões e calendários.
“Às 14 horas da próxima quarta-feira, vou estar na Feira do Livro de Franca e gostaria de convidar meus amiguinhos. Vou autografar o livro de Pedro e mostrar as aquarelas que pintei para ilustrar o livro Paralímpicos: o sonho fantástico de um herói!” A participação na Feira do Livro é gratuita.
O Clubinho entrevistou Maria Goret Chagas, autora do livro. Veja o que ela diz.
Clubinho- O que é paralímpicos?
Goret- São atletas com deficiências que competem nas Paraolimpíadas. As Paraolimpíadas é a versão dos Jogos Olímpicos criada para esses atletas de quem falei. Neste ano, as Paraolimpíadas acontecem no Brasil, de 7 a 18 de setembro.
Como você teve a ideia de escrever sobre o Pedro?
O Pedro representa o meu mundo de deficiência ou de dificuldades. Representa, também, as crianças que amo tanto, a felicidade e a vitória delas.
Você também já foi uma criança com deficiência física, assim como o Pedro. O que mais vocês têm em comum?
A força de vontade, a determinação. Quando quero alguma coisa, sai de baixo. A magia que vem de dentro: “assim a gente transforma tudo em coisa boa, tudo passa a ser do bem.”
Quando você era criança, na escola, qual era a parte mais difícil e como você conseguiu superá-la?
A adaptação do assento, onde colocar o pé para escrever. Mas as dificuldades foram só com essas coisas práticas, pois tive uma superação tranquila. Minha professora, Sílvia, era observadora, atenciosa e apaixonada pelo que fazia. Assim como o professor do Pedro.
Como você pintou as ilustrações do livro?
Em aquarela com a boca e os pés. (Além de escrever, Goret é uma artista plástica que pinta lindos quadros com a boca e os pés).
Você gosta de esportes? Pratica algum?
Sim, natação. Amo nadar.
Quanto tempo você demorou para escrever o livro e qual é sua parte favorita?
Uns 8 meses. Ia escrevendo, refazendo, pintando. A minha parte favorita é quando ele percebe que a mágica era seu toque, a força, a vontade de vencer. Vê que o poder de transformação era dele, vinha de dentro. Que, na verdade, a cadeira era dependente da sua energia.
Qual a dica para que os coleguinhas possam superar as diferenças em sala de aula?
Manter a amizade, o amor, as brincadeiras, ver a todos como iguais, ajudarem-se entre si e respeitarem uns com os outros. Independentemente do jeito de ser, a criança por si só não tem preconceito. Todo mundo é diferente, cada criança é uma criança e precisa ser feliz, ser diferente é normal, faz a diferença!
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