Uma questão de humanidade


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Uma das principais conquistas da Medicina no último século foram as técnicas que permitiram o transplante de órgãos. Há 50 anos, os transplantes de coração, na África do Sul e no Brasil, causaram uma revolução e foram o ponto de partida para que as técnicas descobertas ali fossem tentadas, com sucesso, em outros órgãos. Atualmente, trata-se como bastante comuns os transplantes de córnea e órgãos como fígado e rins. Há outros, mais raros, mas que vêm sendo tentados com sucesso, como o transplante de pulmão, do pâncreas e até de intestino. A descoberta foi capaz de dar sobrevida a pacientes cujo diagnóstico, meio século atrás, era recebido como uma sentença de morte. Embora esteja entre os países mais evoluídos na técnica de transplante de órgãos, a fila de pacientes ainda é grande em relação ao número de doadores.
 
O número de doadores efetivos de órgãos no Brasil subiu de 13,1 por milhão de habitantes para 14 por milhão no segundo trimestre deste ano, segundo a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos). Apesar do aumento, o número de doadores efetivos ficou abaixo do esperado para o período, de 16 por milhão de habitantes, e longe do considerado ideal. Além disso, os transplantes feitos caíram no segundo trimestre, assim como o total de potenciais doadores, principalmente nos Estados mais populosos do País (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais). Os dados são levantados pela ABTO e pelo Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde. O número de brasileiros na fila aguardando um órgão aumentou este ano em comparação ao primeiro semestre de 2015, de 32 mil pessoas para 33.199. Em números absolutos, a maior fila é para receber córneas e rim, seguida de fígado, coração, pulmão, pâncreas e intestino.
 
O coordenador da ABTO, José Lima Oliveira Júnior, destaca que é preciso trabalhar para que o número de doadores aumente em todo o País, porque mesmo que o órgão não seja aproveitado em um Estado, o transplante pode ser feito em outra unidade da Federação, com o apoio da FAB (Força Aérea Brasileira). Um rim, por exemplo, pode ser transplantado até 24 horas depois de retirado e um fígado até 12 horas. Ele destaca que é necessário criar uma infraestrutura nacional que funcione bem e, principalmente, “temos que reduzir a taxa de recusa familiar que é muito alta no país; 49% é inaceitável.” É uma questão de humanidade e solidariedade a autorização para a doação. Levando em consideração a característica de solidariedade dos brasileiros, a taxa de doadores efetivos pode crescer se houver maior esclarecimento da população diante do sofrimento daqueles que esperam por um novo órgão.
 
 
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