O que o eleitor precisa saber


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O eleitor brasileiro, e nisso o francano não fica atrás, considera o voto como uma obrigação e faz tudo para “se livrar” daquilo que é o seu dever. A determinação legal de que o voto é obrigatório contribui para esta visão distorcida de todo o processo eleitoral. Por isso, há ainda aqueles que não aceitam “perder o voto”, como se o pleito fosse uma competição. E outros resistem a uma mudança radical dos seus representantes, como se a obrigação de mudar a forma de se fazer política no País devesse partir de administradores e legisladores eleitos e não daqueles que lhes dão o voto para representá-los. O problema maior é que os eleitores brasileiros, em sua grande maioria, desconhecem completamente as atribuições de vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e presidente da República. Sem uma visão clara do que cada um deve fazer, fica difícil mesmo reconhecer as qualidades individuais do candidato e buscar eleger aqueles que se encaixam no perfil exigido para cada posto.
 
Vamos ficar em nível doméstico, em razão das eleições municipais: será que os eleitores sabem o que exatamente fazem os vereadores? E as atribuições do prefeito? Há quem pense que o vereador existe para resolver os pequenos problemas de cada um, para conseguir caminhões de terra para aterros em terrenos particulares ou então encaminhamento para emprego. Há candidato, que tenta a sua segunda reeleição, que apregoa como suas “conquistas” a concessão de bolsas de estudos e a busca de verbas em gabinetes de São Paulo e Brasília. É bom deixar claro: os vereadores fazem parte do poder Legislativo e, como tal, elaboram, discutem e votam as leis municipais — ou seja, que envolvem impostos municipais, educação municipal, linhas de ônibus, saneamento, entre outros temas da cidade. Além disso, têm o dever de fiscalizar os atos do Poder Executivo. Nada mais simples.
 
Houve um tempo (em alguns municipios ainda é assim) onde eleitores trocavam votos por calçados, dentaduras ou mesmo jogos de camisa para times de futebol. A compra de votos é considerada crime pela Justiça Eleitoral, cabendo processo a quem comprou e a quem vendeu. O eleitor precisa entender que este tipo de político não pode fazer nada de bom ao assumir um mandato. Por isso, precisa abrir o olho e tentar conhecer o seu candidato, principalmente agora, onde o corpo-a-corpo será importante, em razão das mudanças em aspectos da campanha, mais curta e com menos tempo no rádio e na TV. Os candidatos terão que procurar o eleitor. Assim, qualquer oportunidade de contato não pode ser desperdiçada, para que possamos mudar a atuação de nossos políticos a partir do município.
 
 
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