Vendas em bancas nas praças existem há 69 anos


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Feira livre na praça do Cemitério da Saudade, no Centro, na última quinta-feira: a rotina de quem vive da feira começa cedo e, por volta das 3h30, os pontos vão sendo ocupados pelos feirantes
Feira livre na praça do Cemitério da Saudade, no Centro, na última quinta-feira: a rotina de quem vive da feira começa cedo e, por volta das 3h30, os pontos vão sendo ocupados pelos feirantes
No início eram duas: às terças na Praça Barão e aos sábados na Estação. Hoje, as feiras livres se firmaram como tradição e acontecem em seis dias da semana, em diferentes pontos da cidade: às terças na rua Marechal Caxias; às quartas na avenida Presidente Vargas; às quintas em frente ao cemitério da Saudade; às sextas em frente ao Parque “Fernando Costa”; aos sábados na Estação; e aos domingos na Major Nicácio.
 
“A principal é a de domingo, que conta com 77 barracas”, disse o diretor de Fiscalização de Obras e Posturas da Prefeitura de Franca, Marciel Montalvani Barbosa. “Mas todas elas são muito relevantes tanto do ponto de vista cultural quanto econômico. Muitas famílias tiram dali os seus sustentos.” Ainda de acordo com ele, o número de tendas das outras feiras varia de 6 a 55 unidades.
 
A rotina de quem vive da feira começa cedo e, por volta das 3h30, os pontos vão sendo ocupados pelos feirantes. De suas Kombis, eles descarregam suas barracas desmontadas e os mais variados produtos: hortifrútis, queijos, doces, peixes, farinhas, cafés torrados artesanalmente, leite, ovos caipiras, carne de porco, os famosos pastéis e até mesmo utensílios domésticos. “Demoro, mais ou menos, umas duas horas para montar tudo”, disse um trabalhador.
 
Para espantar o sono e animar a lida, rádios são pendurados nas estruturas das barracas ou acionados de dentro dos veículos. O repertório vai do sertanejo de Gino & Geno ao love song de Nazareth. “A gente se sente como se estivesse em casa”, disse a verdureira Geralda Zero, que há 41 anos atua nas feiras. “A amizade aqui é muito boa e somos uma família. Passo mais tempo com meus colegas do que com o meu filho. A gente se ajuda muito.”
 
A família postiça vai além dos colegas de trabalho. Por atuarem há décadas nos mesmos pontos, clientes fiéis alcançam o status de grandes amigos. “Tem alguns que, quando ficam muito tempo sem aparecer, eu ligo para saber se está tudo bem”, afirmou Paulo Roberto Ponce, dono de barraca há 22 anos. O apreço é retribuído pela clientela.
 
“Faz muitos anos que venho à feira, nem me lembro quando comecei. Gosto de comprar queijo, laranja, verduras e milho. Fiz amizades e acho tudo mais fresquinho”, disse a serviços-gerais Maria Aparecida de Oliveira, uma das primeiras clientes a chegar na feira do cemitério da Saudade, na última quinta-feira. “Toda semana eu estou aqui.”
 
Histórico das Feiras
Instituídas por meio de um decreto assinado pelo então prefeito de Franca Moacyr Vieira Coelho, as feiras livres de Franca foram oficializadas em 2 de maio de 1947. A princípio, deveriam funcionar às terças-feiras na Praça Barão e aos sábados numa área que compreendia entre o ângulo do muro da Cia. Mogiana e a Cooperativa Rural de Franca, na Estação. O horário para o comércio de hortifrúti, pescado e aves entre as 7 horas ao meio-dia. Hoje, os clientes são atendidos a partir das 6 horas e as barracas começam a ser recolhidas por volta das 12h30.
 
Um marco importante no histórico das feiras ocorreu em 1983, quando a então administração implementou mudanças como padronização das barracas, agrupamento das mesmas por área de atividade, regularização de estacionamento e criação de área para higienização. 
 
“As barracas, no início, eram de madeira. Cada um fazia a sua, do seu jeito. Aí, o Sidnei Rocha entrou e quis padronizar tudo. Foi quando passou a ser essas armações de ferro”, relembrou Geralda. “Foi bom, mas precisamos de mais mudanças. Queremos, por exemplo, um guarda para ajudar na segurança das feiras.”
 
Segundo a Prefeitura, a lista atual de espera por uma vaga nas feiras chega a 300 posições.

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