A demolição de prédios com características históricas tem chamado a atenção no Centro de Franca e transformado o cenário urbano. Testemunhas do passado da cidade, ao menos três imóveis estão nesse processo para dar lugar a novas construções comerciais.
Antiga casa de espetáculos e mais recentemente sede da boate Montana, o prédio do calçadão da rua Marechal Deodoro teve toda a sua fachada jogada ao chão nas últimas semanas. Na última quinta-feira, funcionários da obra informaram ao Comércio que o prédio não será totalmente destruído e, sim, readequado para abrigar uma rede de loja de departamentos com sede no Paraná, de nome Giga. “Vamos recuperá-lo e fazer uma nova fachada para a loja”, revelou um dos homens.
A reportagem entrou em contato com o marketing da empresa que confirmou a abertura de uma unidade em Franca, porém, não deu detalhes da operação.
Uma quadra abaixo, na rua Couto Magalhães, o prédio do hotel Marconi, considerado um dos mais antigos da cidade, também já não existe mais. O imóvel começou a ser demolido ainda no fim de 2015 e, na semana passada, teve o restante dos blocos retirados e a frente do terreno fechada. Segundo comerciantes vizinhos, o espaço dará lugar a um sobrado comercial.
No cruzamento das ruas Tiradentes com Monsenhor Rosa, outro imóvel, dessa vez um casarão, foi demolido e uma nova construção começa a ter as paredes levantadas.
Embora não histórico, ainda no Centro, um miniconjunto de estabelecimentos comerciais, entre a rua Ouvidor Freire e a General Carneiro, tem sido transformado em um único imóvel. A informação é que o proprietário de São Paulo decidiu por erguer no local um prédio de dois pisos para abrigar uma loja de roupas.
Segundo o pesquisador em história regional Beto Monteiro, a memória da cidade está se perdendo com as demolições e não existe nenhum movimento de autoridades no intuito de preservar os imóveis que ainda restam. “É uma tristeza a perda de prédios que fizeram parte da história da cidade e a população assiste a tudo, anestesiada. Ninguém faz nada para evitar.”
Para o historiador, o poder público não mostra preocupação com o patrimônio histórico da cidade e a atuação do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) só se limita a tombar bens públicos. “Se analisarmos, não há imóveis particulares da cidade tombados. O Condephatt está limitado.”
A presidente do Condephatt, Célia Tavares, disse que os conselheiros consideraram o prédio do antigo Hotel Marconi como “não objeto de tombamento” e confirmou ter recebido um pedido para manifestação de laudo em relação ao imóvel da boate Montana. “Não temos, atualmente, nenhum prédio ou relação de imóveis em estudo para futuros tombamentos. Nada está sendo feito”, revelou.
Célia informou ainda que o órgão só tem zelado pelo que já é tombado e está em processo de transição. “Estou aguardando a nomeação de um novo presidente pelo prefeito”, declarou.
Ainda segundo a presidente, os dois últimos tombamentos realizados pelo Condephatt ocorreram em 2015 com um galpão da Alta Mogiana e a paineira às margens da rodovia Cândido Portinari.
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