O Brasil vive hoje uma euforia com os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, diante das minguadas 15 medalhas (5 de ouro) conseguidas até ontem. No meio de todo esta festa, falta a alguém fazer um verdadeiro exame da situação, principalmente diante das chamadas potências esportivas que acumulam uma série de bons resultados e uma montanha de medalhas de todos os tipos. Para se ter uma ideia, os maiore ganhadores nestes Jogos, os Estados Unidos, têm mais do que o dobro do total de medalhas que o Brasil só em ouro: são 37. E não consta que os EUA contem com um Ministério dos Esportes que só aumenta a burocracia e os desvios de verbas oficiais ou que empresas privadas, como a Caixa Econômica Federal, invistam em equipes de futebol americano ou basquete, ao contrário do que acontece no Brasil.
A falta de incentivos para o fomento do esporte amador, ainda no ensino fundamental, fica bastante claro ao se ver que muitas de nossas medalhas são conseguidas por verdadeiros e dedicados fenômenos dos ginásios e das pistas, como Thiago Braz da Silva do salto com vara, Robson Conceição, no boxe, e Rafaela Silva, no judô. Não fossem eles, teríamos apenas duas medalhas de ouro no iatismo feminino e no vôlei de praia masculino. Os exemplos se repetem em outras faixas de premiação. Hoje, o poder público e seus prepostos pouco fazem pelo esporte amador. Apenas o Banco do Brasil investe no vôlei (de quadra e de praia) e as Forças Armadas começam a criar equipes, contratando atletas de ponta que se tornam parte de seu contingente. Os grandes torneios intercolegiais de décadas atrás já não existem. Hoje, resistem em São Paulo os Jogos Regionais e os Jogos Abertos do Interior, onde algumas prefeituras investem em atletas promissores para conseguir medalhas e uma boa classificação.
Não há continuidade que permita a manutenção de fortes equipes nos municípios, atraindo ainda mais o interesse de crianças e jovens para o hábito saudável do esporte. Franca mesmo é um exemplo claro da situação: há pelo menos uma década o basquetebol perde força e time e torcida se contentam em disputar campeonatos estaduais e nacionais sem o protagonismo das décadas de 70, 80 e 90 do século passado. Quantas escolas possuem equipes próprias ou programas de esportes duradouros e permanentes? Enquanto a atividade esportiva for negligenciada em nosso País, dificilmente conseguiremos avançar em todos os sentidos. A escola é a base de tudo e merece receber a atenção necessária para que deixemos de ser um país de vira-latas e passemos a celebrar os sucessos de nossos brasileiros não apenas no esporte, mas também em outros campos do conhecimento.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.