Recepção lotada e pessoas impacientes com a demora no atendimento. Essa era a cena encontrada, na tarde de ontem, no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e também na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Aeroporto. O movimento nas duas unidades de saúde, que cresceu cerca de 10% nas últimas semanas, é atribuído pelo secretário de Saúde, José Conrado Netto, à atual crise econômica enfrentada pelo país.
“É complicado, pois todos os dias aqui está lotado. O atendimento demora e nem temos onde sentar, acabamos sentando no chão mesmo”, disse a sapateira Marlene Araújo, 40, moradora do Centenário, que, com dores no peito, nas costas e tosse, esperava há duas horas por atendimento no PS, ontem.
Por volta das 15 horas, o painel de atendimento do PS apontava que 802 pessoas já haviam passado pela triagem. Na terça-feira, a situação esteve ainda pior. A superlotação e a falta de locais para sentar deixaram pacientes irritados. “Meu marido chegou no PS por volta das 12 horas com muitas dores na coluna. Quando foi atendido já eram 17 horas. Teve que ficar sentido dores o dia todo. A falta de respeito desse povo está demais com a população”, disse Patrícia Andrade, que esteve no PS na terça.
Na UPA do Aeroporto a situação era parecida. Muitos pacientes aguardavam serem chamados do lado de fora. Na recepção não haviam mais cadeiras disponíveis. A média de espera para o atendimento, segundo eles, chegava a duas horas e meia.
Questionada sobre a espera e a superlotação, uma funcionária afirmou que quatro médicos atendiam e a espera não ultrapassava 1h20. “Nas últimas semanas, o número de pacientes que procuram a unidade aumentou aproximadamente 40%. Hoje, em média, são atendidas 600 pessoas. O grande volume na procura é atribuído ao desemprego e à mudança de tempo, que acaba deixando as pessoas mais suscetíveis a doenças respiratórias”, disse ela, que pediu para não ser identificada.
O secretário de Saúde disse que procura por atendimentos nas duas unidades cresceu muito desde o início do ano, especialmente após o agravamento da crise e muitos trabalhadores ficarem desempregados. “Temos sentido picos de segunda e terça-feira. Acreditamos que o desemprego e consequente perda de convênios médicos têm feito mais pacientes caírem na rede pública, mas estamos conseguindo atender. Não há falta de médicos e estamos com uma equipe boa”, disse.
Sobre a falta de locais adequados para os pacientes esperarem, ele disse que em breve novas cadeiras serão instaladas. “Em breve serão instalados novos 60 lugares, além de estar previsto o conserto do que está quebrado”, concluiu.
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