Os números oficiais deixam a situação bem clara: a estagnação da economia brasileira tem criado um verdadeiro flagelo no mercado de trabalho, aumentando o número de desocupados a cada trimestre. Além disso, as notícias cotidianas dão conta de que empresas como a Mercedes, depois de tentar várias alternativas (férias coletivas, programa de demissão voluntária e redução de salários e carga de trabalho), não viu outra saída e vai demitir pelo menos dois mil funcionários. Assim como ela, várias outras empresas têm procurado uma forma de reduzir os prejuízos crescentes, diante da queda da produção causada pela retração econômica.
De acordo com a Pnad Contínua, pesquisa de emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com dados regionalizados para o intervalo de abril a junho, a taxa de desemprego cresceu em todas as unidades federativas brasileiras no segundo trimestre na comparação com o mesmo período de 2015. Em 18 Estados e no Distrito Federal, a marca já supera 10%. Em igual intervalo do ano passado, somente quatro tinham ultrapassado esse patamar. A taxa de desemprego geral do País para o segundo trimestre, de 11,3%, já havia sido divulgada.
Amapá (15,8%), Bahia (15,4%), Pernambuco (14%), Alagoas (13,9%) e Rio Grande do Norte (13,5%) tiveram as maiores taxas do Brasil. Na ponta contrária, Santa Catarina (6,7%), Mato Grosso do Sul (7%), Rondônia (7,8%), Roraima (8%) e Paraná (8,2%) registraram as menores. Em São Paulo, a desocupação subiu de 9% para 12,2% entre os segundos trimestres de 2015 e 2016. No Rio de Janeiro, o aumento foi maior, de 7,2% para 11,4%. São Paulo encerrou o trimestre com 2,961 milhões de desocupados, com alta de 2,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior. No intervalo de um ano, o número cresceu 40,1%.
Vivemos hoje uma situação extremamente delicada. Diante deste quadro, o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) já prepara, de forma emergencial, um pacote que deve ampliar a possibilidade de redução dos salários e da jornada em até 30%, desta vez sem qualquer contrapartida do Tesouro ou novas desonerações. Ao mesmo tempo em que tenta reduzir o déficit público, o governo tenta agir no sentido de promover a retomada do crescimento. Embora o Sindicato dos Sapateiros de Franca não leve em conta a gravidade da situação, impedindo um acordo da empresa Carmen Steffens com seus funcionários, esta atitude pode colocar mais 200 trabalhadores francanos na rua. Neste momento, não é o que se deseja. A ocasião exige cautela e, mais do que tudo, negociação.
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