Queda de vagas cresce e atinge chefes de família


| Tempo de leitura: 3 min
O professor de economia e pesquisador da Unifran Fabiano Siqueira dos Prazeres acredita que a situação só melhora em 2 anos
O professor de economia e pesquisador da Unifran Fabiano Siqueira dos Prazeres acredita que a situação só melhora em 2 anos
Nos últimos três anos, o saldo negativo no mercado de trabalho cresceu 465%, em Franca. De julho de 2013 a junho de 2016, o número de vagas de empregos fechadas saltou de 761 para 4.298, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), e passou a atingir chefes de família: homens e mulheres responsáveis pela principal fonte de renda dos lares. 
 
De acordo com uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na capital do Estado, o número de chefes de família desempregados cresceu 88%, se comparados os dados de fevereiro de 2015 e fevereiro deste ano, último mês de divulgação do estudo. Embora não haja dados específicos de Franca, a realidade dos trabalhadores locais também causa preocupação.
 
“Trabalhei numa fábrica de sapato por oito anos e eles me mandaram embora, no começo do ano. Desde fevereiro estou procurando emprego e não consigo”, disse Gilvan Guilherme, 57 anos, que chegou ao posto de gerente em seu antigo trabalho. “A gente vai ficando entre o desespero e a depressão. Meu filho é quem tem segurado as pontas. Ele ia se casar neste ano, mas teve que adiar para não deixar a gente desamparado. Acho isso muito injusto”, completou.
 
Empregada há 16 anos por uma mesma empresa, Tânia Cristina dos Santos também se viu sem perspectivas no início deste ano, quando foi dispensada de suas funções de secretária. “Fui mandada embora em janeiro e desde lá venho distribuindo currículos nos locais. Saio às 5h30 e volto às 17h30, porque o ônibus está caro e tenho que ir a pé”, afirmou. “Já estou partindo até para outras áreas. Já fui sapateira, tive experiência. Outro dia fui ao shopping entregar currículo para vendedora, mas não deu certo. Eles só aceitavam pessoas com até 30 anos”, disse ela, que tem 49. 
 
De acordo com Tânia, desde que ingressou no mercado de trabalho, aos 11 anos de idade, esta é a primeira vez que fica tanto tempo sem emprego. “Está bem complicado. Meu filho mais velho está me ajudando com uns bicos. A mais nova se dispôs a parar a faculdade, mas eu não aceitei. Procuramos bolsa de estudo na Prefeitura e o que ela ganha no estágio está indo para os estudos.” 
 
Cenário de crise
A turbulência política pela qual passa o país tem ligação direta com a crise econômica, como explica o professor de economia e pesquisador da Unifran Fabiano Siqueira dos Prazeres. “Os investimentos que partem da máquina pública, do governo, estão travados e a meta fiscal tornou-se moeda de troca entre os partidos. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e bancos públicos cortaram o crédito. Com isso, o mercado fica com pouco crédito e maior carga tributária, o que força o corte de produção e custo. Isso gera o desemprego”, afirmou. 
 
‘Nós sabemos que os chefes de família, em sua maioria, estão estabilizados em seus empregos e atingiram uma consolidação técnica. Isso gera um aumento de salário e, em um momento de retração econômica, os maiores salários costumam ser cortados.”
 
Ainda de acordo com ele, a retração da crise deve começar com a estabilização do governo e investimentos, principalmente, no setor agrícola. “O governo deverá investir no incentivo agrícola, que é o que move o país, para que a indústria possa voltar a funcionar e, consequentemente, os serviços. Outra medida é destravar alguns mecanismos de incentivo para as empresas, como a isenção do IPI.” Para ele, a situação deve começar a melhorar em cerca de 24 meses.
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários