É como diz o ditado...


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“Não adianta chorar o leite derramado”, não se trata exatamente do leite
“Não adianta chorar o leite derramado”, não se trata exatamente do leite
O ditado popular também é conhecido como dito, adágio, máxima, sentença. É composto por uma frase de poucas palavras que encerra um ensinamento (Em boca fechada não entra mosquito); uma opinião (Em casa de enforcado não se deve falar de corda);  um conselho (Quem fala o que quer, ouve o que não quer). Muitas vezes o provérbio tem um tom engraçado e faz referências a animais ( Macaco velho não bota mão em cumbuca) e costuma fazer comparações (Casa de ferreiro, espeto de pau).
 
O ditado  procura contar uma rápida história que se aplica na prática a situações várias vividas pelas pessoas. Por exemplo, quando a gente diz que “não adianta chorar o leite derramado”, não se trata exatamente do leite que, ao ferver, subiu na caneca e caiu no fogão. Trata-se de algo que fizemos de forma errada e pelo qual não vale a pena reclamar, pois de nada vai adiantar. Assim como o leite não poderá retornar à caneca, também algo que não pode ser consertado deve ser esquecido. 
 
Alguns provérbios em nosso idioma existem desde que os portugueses chegaram ao Brasil. Outros foram inventados depois. Há milhares de provérbios em todas as línguas. Os brasileiros gostam muito de se expressar através deles, especialmente nas regiões do interior, onde a língua se mantém mais conservadora. Em algumas regiões eles têm mais força que  em outras, como é o caso do Rio Grande do Sul. Os gaúchos utilizam muitos ditados no seu dia a dia, fazendo comparações. Vejam: Mais ligado que rádio de preso. Mais curto que coice de porco. Mais calmo que água de poço. Mais amontoado que uva em cacho. Mais perdido que cachorro em dia de mudança. Mais assustado que velha em canoa.
 
 
Ditados populares em emoticons
 
Nas metrópoles, no interior, no litoral, no cerrado, nas áreas de floresta, em toda parte tem brasileiro usando, às vezes sem se dar conta, ditados populares. E  nestes novos tempos digitais, os provérbios estão ganhando uma versão interessante pela via da combinação dos emoticons. Internautas já passam suas mensagens através dessas imagens que fazem lembrar um jogo muito antigo que era o da carta pictográfica. Vejam abaixo. 
 
 
Dia do Folclore
 
Os provérbios são elementos importantes do folclore, cuja celebração acontece no mês de agosto em nosso País. Tem até uma data internacional para ser comemorado. É o 22 de agosto. Nesse dia, no ano de 1864, a  palavra  “folklore” (em inglês) foi inventada. O autor do termo foi o arqueólogo inglês William John Thoms, que fez a junção dos substantivos “folk” (povo, popular) com “lore” (cultura, saber) para definir os fenômenos culturais típicos das culturas populares tradicionais de cada nação. 
 
O folclore tem despertado grande interesse de pesquisadores de todo o mundo desde o século XIX. É fundamental para um país conhecer as raízes de suas tradições populares (orais) e compará-las com as de caráter erudito (escritas).
 
Muitos escritores extraem do folclore a base de sua obra. É o caso, no Brasil, do paraibano Ariano Suassuna e do mineiro Guimarães Rosa. Entre os folcloristas brasileiros, os mais notáveis são Mário de Andrade e Câmara Cascudo. Desse último partiu a pesquisa que levou à edição do Dicionário do Folclore Brasileiro, obra que mantém viva a cultura popular das várias regiões do Brasil.
 
Em nosso País, o Dia do Folclore foi oficializado em 17 de agosto de 1965 por meio de decreto assinado pelo então presidente  Castelo Branco.  No texto do decreto há referência direta a William John Thoms e ao seu pioneirismo na pesquisa das culturas populares. 
 
Os grandes folcloristas encarregam-se de registrar contos, lendas, anedotas, músicas, danças, vestuários, comidas típicas e tudo o mais que define a cultura popular. No Clubinho da última quinta-feira, falamos de todas estas manifestações. Ficaram faltando os provérbios ou ditados populares. Por isso estamos dedicando este espaço a eles nesta quinta-feira. 

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