Quem lê o Comércio diariamente ou acompanha as postagens do Portal GCN ou os programas jornalísticos da Difusora tem acompanhado um crescimento assustador da criminalidade não apenas em nossa cidade, mas também em nossa região e todo o País. Os criminosos deixam a população assustada, acuando os cidadãos de bem no interior de suas residências, numa total inversão de valores: o trabalhador preso intramuros e a marginália solta pelas ruas e à espreita, como se tivesse salvo-conduto para delinquir, ameaçar, ferir e matar. Contando com um Código Penal cheio de brechas e benefícios ao delinquente, a bandidagem tem uma clara sensação de impunidade, uma vez que as penas são consideradas brandas e poucos sentenciados cumprem a integralidade das sentenças — no Brasil, ninguém fica preso mais de 30 anos, mesmo que seja condenado a 100 anos de privação de liberdade. Além disso, é considerado muito baixo o índice de resolução de crimes da polícia brasileira, o que complica ainda mais a questão.
A falta de uma política nacional de segurança pública ou mesmo um planejamento que repense todo o sistema prisional brasileiro, hoje completamente superlotado, ineficiente e incapaz de atender a demanda. São questões que não são atacadas com a devida seriedade, o que tem feito a Segurança Pública brasileira perder de goleada para o crime organizado. O investimento em educação junto à população mais vulnerável também fica abaixo do desejável, incluindo aí o fomento aos esportes e na melhoria de vida destas comunidades. São pontos capazes de fazer frente à glamourização do crime e dos criminosos. É preciso que esta população passe a ter perspectivas de ascender econômica e socialmente sem precisar se envolver com o tráfico de drogas, a primeira porta de acesso ao crime organizado.
Ainda contribui para a situação a pequenez dos aparatos de segurança que não conseguem fazer frente, com seus revólveres calibre 38 ou rifles simples, ao maior contingente do crime organizado, que inclusive conta com armamentos pesados, alguns considerados restritos às Forças Armadas. O nosso quase centenário Código Penal (foi criado há mais de 80 anos) precisa receber uma revisão que combata o crescimento da violência urbana que faz vítimas como a família de cinco pessoas aterrorizada por ladrões armados na noite do Dia dos Pais. Para que tenhamos um País ordeiro, todas estas questões precisam ser consideradas e solucionadas. O brasileiro precisa não apenas andar pelas ruas sem medo, mas voltar a considerar o seu lar uma fortaleza.
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