A divergência entre as centrais sindicais em relação ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff se repete em relação à reforma da previdência. Apesar da oposição a mudanças ser uma das bandeiras da manifestação unificada realizada nesta terça (16), não há consenso sobre o tema.
O ato foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, CTB, CSP-Conlutas, CGTB, Intersindical, UGT e Nova Central em diversas capitais.
Para a Força Sindical, é necessário que haja uma reforma para melhorar a arrecadação do governo e unificar as regras para trabalhadores de todas as categorias, disse João Carlos Gonçalves Juruna, secretário-geral da organização na manifestação organizada na avenida Paulista, em São Paulo.
O deputado Paulinho da Força (SD-SP), presidente da entidade, não foi ao protesto.
A Força Sindical concorda com a elevação da idade mínima para aposentadoria, um dos pontos mais polêmicos da proposta de reforma em discussão do governo, desde que válida para os nascidos a partir de 2001, que completarão 16 anos no ano que vem, afirmou Juruna.
A entidade, em conjunto com a Nova Central, a UGT (União Geral dos Trabalhadores) e a CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), negocia com a equipe do governo do presidente interino Michel Temer as novas regras que devem entrar na proposta ao Congresso.
A CUT, por sua vez, se nega a negociar com o atual governo por não considerá-lo legítimo, mas sim fruto de um "golpe".
Para a CUT, a introdução do fator 85/95, mudança implementada no ano passado, foi suficiente para equilibrar a previdência pelos próximos dez anos, disse Sérgio Nobre, secretário-geral da organização, no protesto na capital paulista.
"A previdência não está quebrada como dizem. Esse debate é importante, mas tem que ser feito com calma e envolvendo toda a sociedade, e não por um governo ilegítimo", afirmou Nobre.
A idade mínima para aposentadoria é outra divergência. Para a CUT, a regra não deve ser mudada em nenhuma hipótese.
Apesar das divergências, os sindicalistas se dizem unidos. "Essa manifestação marca a unidade dos trabalhadores novamente. Até agora estávamos divididos entre 'Fora, Temer' e 'Fica, Dilma'. Claro que todo mundo defende suas posições mas conseguimos nos unificar na defesa do emprego e contra a retirada de direitos", disse Juruna, da Força Sindical.
O impeachment não estava entre as bandeiras da manifestação, mas diversos adesivos "Fora, Temer" foram distribuídos pela CUT no ato em São Paulo. Muitos dirigentes sindicais também chamaram o governo atual de "golpista" em seus discursos. Não houve citações à presidente afastada, Dilma Rousseff.
Para Nobre, da CUT, o ato é sinal de maturidade das centrais. "Elas pensam diferente, mas na hora que os direitos estão em jogo, temos que nos juntar. As diferenças resolvemos depois", afirma.
GREVE GERAL E VAIAS
Além da mudança nas regras para aposentadoria, o ato também foi um protesto contra a terceirização, o projeto de lei de renegociação de dívida dos Estados e a PEC que estabelece um teto de gastos para o governo federal.
Caso essas medidas avancem no Congresso, as centrais prometem organizar uma greve geral no país. Uma nova reunião entre as lideranças deve definir quais serão os próximos passos do movimento.
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, também foi alvo do protesto, vaiado por ter afirmado na última semana que homens vão menos a hospitais porque trabalham mais que mulheres.
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