Orgulho olímpico


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Tempo de Olimpíada poderia inspirar brasileiros a procurar outros pódios. Que tal a Olimpíada do zelo pela coisa pública, patrimônio de todos e custeado com o dinheiro do povo? 
 
Começaria com limpeza de ruas, parques, praças, de tudo o que hoje é objeto de negligência ou até, de maus tratos. 
 
A Olimpíada da recuperação de espaços deteriorados, que eliminasse a irracional produção de resíduos, evidência de completa ausência de educação cívica. 
 
Não se dá conta do lixo produzido em todos os lugares, do descaso com que se arremessa à rua todo e qualquer detrito e testemunho de nossa irracionalidade.
 
O abandono do espaço coletivo gera mal-estar que a todos acomete, pois o ser humano tende a encontrar equilíbrio nos ambientes harmônicos, limpos e condignos com a espécie que se vangloria de ser a única racional dentre os seres vivos. 
 
Depois uma Olimpíada da polidez. Onde foi parar a civilidade, os bons modos? Onde a cordialidade, boa educação de berço, empatia, receptividade? 
 
Embrutecemo-nos porque a sujeira nos agride ou sujamos todos os lugares porque nos embrutecemos? 
 
Já fomos melhores. É muito triste exercitar a imaginação e tentar prever qual a impressão de alguém que nos visita. 
 
Viajante que integra civilização compatível com o atual estágio do desenvolvimento humano, o que pensará de nós ao observar o que se fez de nossas cidades. 
 
A crueldade com que se trata a paisagem depõe contra todos. Não é possível conviver com tantos atestados de desleixo e de desprezo em relação àquilo que se construiu com padrões de beleza, da verdadeira perversidade que sequer consegue se indignar com a sordidez e o depauperamento de nossos espaços. 
 
Essa sim, é a Olimpíada mais importante na qual temos que buscar medalhas de retomada do orgulho de sermos civilizados , não figurantes de um cenário Blade Runner. 
 
 
José Renato Nalini
Secretário de Educação do Estado de São Paulo 

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