Sobrecarga da Terra


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Esta semana, dia 13, o planeta viveu o Earth Overshoot Day deste 2016. Você não tem a mínima ideia do se trata? Explico da forma mais simples possível: sabe aquele dia do mês em que o salário que você ganha acaba, e ainda ‘resta mês’? Você ainda tem coisas a pagar, mas o dinheiro, simplesmente, não existe mais?
 
Pois é. Ocorre o mesmo com esse nosso lindo planeta azul. O ideal seria que cada um de nós planejasse o uso do dinheiro que ganhamos mensalmente para nos garantir até o final do mês, mas, descontrolados, não resistimos a um telefone novo, um jantar especial em local especiali$$imo, e lá se vão os nossos anéis. Dinheiro novo, só no mês seguinte. No caso da Terra, imaginemos 7.2 bilhões de pessoas consumindo recursos naturais sem critério algum, e interesses de países colocados acima da capacidade de regeneração do planeta. 
 
Em outras palavras, em 13 de agosto de ano, a raça humana e os governos exauriram, completamente, todos os recursos que deveríamos usufruir com parcimônia até 31 de dezembro, sem comprometer a capacidade do planeta em seu regenerar para um novo período. 
 
Tomemos, como exemplo,  um lago repleto de peixes. Há um limite para a quantidade que podemos capturar a cada ano. O restante tem que ficar lá, e em número suficiente para repovoar o lago para o próximo ano. 
 
A cada ano, cada vez mais cedo, consumimos tudo. Somos predadores, ganhafotos que não deixam nada  à passagem. Vale desde o peixe, até o combustível. Em resumo, desde o dia 13, a raça humana passou a consumir o que só deveria utilizar a partir do início do ano que vem.  Cresce a índices extraordinários, a nossa  dívida. Solos não têm mais tempo para se recompor e isso se refletirá, daqui em diante, em menos alimento produzido. Modificações climáticas resultantes de emissões de carbono desenfradas farão diferença cada vez maior. São juros a pagar por nossos descritérios.  
 
Até 31 de dezembro utilizaremos recursos equivalentes a 1,6 planeta. Segundo dados da NEF (New Economics Foundation) inglesa, a Costa Rica consome cerca de metade da quantidade de recursos per capita dos habitantes do Reino Unido, e um quarto do que consomem os norte-americanos. 
 
Ainda assim o bem-estar e a expectativa de vida das costarriquenhos é o mesmo dos habitantes do Reino Unido, e maior do que a norte-americanos. A razão disso está no uso extensivo de energia renovável e em soluções inovadoras para proteção de florestas tropicais; além de investimento forte nos serviços públicos, como saúde, transporte e educação.
 
Faz tempo que o tema tem sido discutido em fóruns mundiais, mas só discutido. O interesse econômico não permite as mudanças necessárias — a roda da fortuna não pode parar em nenhuma circunstância. O desconhecimento absurdo da maior parte do mundo quanto a essa enorme dívida que estamos construindo sem qualquer preocupação, faz o resto. Não é demais repetir: em 13 de agosto, a raça humana já havia consumido 160% do que o planeta poderia nos dar até 31 de dezembro. 
 
Não está convencido? Vou mais fundo: em 13 de agosto deste ano já teríamos gasto 60% ‘de todos os salários que ganharíamos ano que vem’. A Alemanha esgotou sua biocapacidade em 29 de abril. Outros países e suas gerações futuras a estão custeando desde então. 
 
É gravíssimo! O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima que metade da população mundial não terá acesso a água potável a partir de 2030. Muitos de nós não estaremos lá, mas nossos descendentes, estarão. Pobres deles.
 
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 
 

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