O Sindicato dos Sapateiros de Franca divulgou ontem, 12, um comunicado acusando a empresa Carmen Steffens de falsa argumentação para reduzir o salário dos trabalhadores. A proposta da fábrica é diminuir a jornada semanal de trabalho, em decorrência da crise econômica do país, trabalhando apenas de segunda a quinta-feira, e descontar as sextas-feiras não trabalhadas do salário dos sapateiros, para evitar demissões. O sindicato não concorda com a redução salarial.
No comunicado, o sindicato acusa a empresa de esconder sua real situação financeira e também de coagir os trabalhadores a se organizarem para a assembleia em defesa da empresa, ocorrida na semana passada na porta da sede do sindicato, no Centro. Na manifestação realizada no último dia 5, os trabalhadores pediram pela validação do acordo.
Segundo o material, publicado ontem no Comércio da Franca, “a Carmen Steffens possui hoje mais de 500 lojas e está presente em 18 países e o plano da empresa é chegar a 2 mil lojas com presença em 35 países”. O texto informa ainda que “sua receita bruta aumentou 25% no ano de 2016”.
Segundo o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo de Oliveira, a iniciativa teve como intuito informar a população e, principalmente, os trabalhadores de que não existe crise para a empresa. “A empresa está mantendo a proposta, porém, não é essa a situação. No dia da manifestação na porta do sindicato, vários funcionários disseram que foram obrigados. Eles estavam ali pressionados e acompanhados de gerente”, disse Oliveira.
Ainda de acordo com a nota, o sindicato acionará a Organização Internacional do Trabalho e a Justiça. “Vamos denunciar a prática antissindical e também a prática fraudulenta das terceirizações, independente se houver acordo”, afirmou o sindicalista.
Em outro trecho do comunicado, a entidade ainda anuncia que traduzirá o material para os idiomas dos países em que a Carmen Steffens tem lojas instaladas. “Daremos ampla divulgação internacional sobre o ataque que a direção da empresa tenta impor contra os trabalhadores”, diz a nota.
Por fim, o sindicato reafirma que está disposto a discutir propostas que visem a garantia de estabilidade dos trabalhadores. “Voltamos a conversar, o processo de negociação está em aberto e nós mantemos o compromisso de não aceitar os descontos. Acredito que, se a empresa estiver realmente preocupada com os funcionários, haverá uma nova proposta”, disse Ronaldo.
Esclarecimentos
A Carmen Steffens publicará neste domingo, no Comércio, um comunicado com esclarecimentos sobre o caso. Mas, segundo o próprio sindicato, a empresa tem repetido que a redução de jornada é uma medida para preservar o emprego de centenas de trabalhadores.
“A empresa não quer demitir ninguém, mas todos sabemos qual a situação atual do nosso país. Como os pedidos diminuíram, buscamos as opções para evitar as demissões. Nas negociações, tentamos muito oferecer o melhor, como os oito meses de estabilidade (para os funcionários afetados pela redução de jornada e salário), mas o Sindicato, desde o primeiro dia, está intransigente”, disse o gerente da empresa Francisco de Assis Migueletti, na sexta-feira da semana passada, durante a manifestação dos funcionários contra o sindicato.
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