Sem investimentos só podemos sonhar


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A torcida brasileira, que tem feito muita festa durante as competições dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, não deve sonhar demais: ao final do evento, a delegação brasileira deverá no máximo melhorar um pouco o desempenho conseguido quatro anos atrás, em Londres, quando conseguiu 17 medalhas (3 de ouro), ocupando a 22ª posição no ranking geral dos jogos. Antes do início da competição, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) sonhava que os atletas brasileiros conseguiriam pelo menos chegar à 15ª posição geral dos Jogos do Rio, jogando as suas fichas nos esportes coletivos (futebol masculino e feminino, vôlei masculino e feminino, handebol feminino e vôlei de praia) para ampliar o número de medalhas de ouro e ascender no ranking,
 
Pouco mais de uma semana após o início das disputas, no começo da noite de ontem, a delegação brasileira havia conseguido apenas três medalhas, uma de ouro (com Rafaela Silva, no judô), uma de prata (Felipe Almeida Wu, no tiro esportivo) e uma de bronze (Mayra Aguiar, também no judô). Quatro anos atrás, o Brasil deixou Londres com um total de 17 medalhas. Entre as conquistas alcançadas por 57 brasileiros que disputaram sete modalidades, três vitórias representaram ouro, como a da seleção feminina de vôlei e as vitórias de Sarah Menezes, do judô feminino, e de Arthur Zanetti, da ginástica artística masculina. Os brasileiros também conquistaram cinco medalhas de prata. Entre os segundos lugares, o pugilista Esquiva Falcão divide espaço com as equipes masculinas de futebol, vôlei de quadra e natação. As nove medalhas de bronze foram alcançadas por Adriana Araújo (boxe feminino), Yamaguchi Falcão (boxe masculino), Felipe Kitadai e Mayra Aguiar (judô), César Cielo (natação), Robert Scheidt e Bruno Prada (vela), Juliana e Larissa (vôlei de praia feminino) e Yane Marques (pentatlo moderno). Algumas modalidades podem ser incluídas e outras (como o boxe) saem fora. Ou seja, não deverá ficar muito diferente.
 
A falta de investimentos no esporte de base, que em outros países é estimulado desde os primeiros anos do ensino fundamental, impede que o Brasil se coloque entre as potências esportivas do planeta, em que pese o seu território e a população. Ainda falta muito para os Jogos Olímpicos serem encerrados e, até agora, o Japão ocupa o 5º lugar com 19 medalhas, mais do que conseguimos em Londres, na Olimpíada inteira. O Brasil vive de atletas excepcionais de tempos em tempos, em todas as suas conquistas olímpicas. Foi assim com Adhemar Ferreira da Silva, foi assim com João do Pulo, da mesma forma como hoje com Arthur Zanetti. Enquanto não se investir mais, dificilmente conseguiremos os resultados expressivos que a torcida espera e os dirigentes almejam.
 
 
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