O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Franca recebeu, em média, oito trotes por dia nos primeiros sete meses deste ano. Entre as 3 mil ligações recebidas todos os meses, 8,5% são falsas e prejudicam o trabalho das equipes que atuam na linha de frente dos atendimentos de urgência e emergência na cidade. Enquanto em todo o ano de 2015 foram registrados 1,7 mil trotes, em 2016 já são mais de 1,8 mil, um aumento de quase 100%.
Configurada como crime pelo artigo 266 do Código Penal brasileiro, a brincadeira de mau gosto pode gerar pena de detenção, de um a três anos, e multa. Além de comprometerem as linhas telefônicas, os trotes prejudicam o atendimento, já que congestionam as linhas telefônicas do serviço de saúde e impedem os chamados reais.
“Os trotes provocam diversos problemas e a situação só será resolvida quando a população, de forma geral, se conscientizar disso. Temos diversos mecanismos que ajudam a identificar as ligações falsas, porém, algumas são tão bem planejadas que acabam passando. Se uma ambulância é deslocada para atender uma ocorrência falsa, outros atendimentos ficam comprometidos. Essas atitudes são uma falta de consciência amplamente prejudicial para as vítimas reais. Uma brincadeira de mentira que pode se transformar num problema de verdade”, afirmou a coordenadora geral e de enfermagem do Samu de Franca, Giane Alves Stefani.
Segundo a coordenadora, a maioria dos trotes é feita de orelhões e de telefones sem identificador de chamada, dificultando a descoberta dos responsáveis. Quando a detecção acontece, os responsáveis são, na grande maioria, crianças. Nessas situações, imediatamente é tentado o contato com os pais para a realização de orientações ou, dependendo da gravidade da situação, é registrado um boletim de ocorrência.
Além das ligações falsas, outro problema apontado pela coordenadora do Samu é que alguns munícipes supervalorizam a queixa e acionam as equipes mesmo em situações menos graves. “Muitas pessoas acionam o nosso serviço por qualquer motivo e, ao chegarmos no local, avaliamos a vítima e verificamos que a queixa não se enquadra com a realidade necessária para a realização do nosso serviço. Isso faz com que as ambulâncias sejam despachadas com rapidez à frente de outras ocorrências realmente com necessidade de atendimento. A população precisa ter consciência e acionar a viatura do Samu nos casos onde a vítima corre risco de morte e não utilizá-lo como um serviço de transporte.”
Prejuízos
Em média, sempre que uma equipe se desloca para o atendimento de uma ocorrência falsa, o prejuízo chega a R$ 250. “Não temos como calcular o custo exato, pois cada ocorrência tem uma quilometragem, dependendo do local e da situação. Temos que considerar o deslocamento, todos os gastos com a viatura, além do trabalho da equipe como um todo”, completou Giane.
Medidas
Pensando nos prejuízos provocados pelos trotes, o vereador Daniel Radaeli (PMDB) propôs um projeto de lei para que os responsáveis por trotes realizados ao Samu sejam multados. O valor da multa proposta é de 20 UFMF (Unidades Fiscais do Município de Franca), avaliada hoje em R$ 52,47, o que corresponde a R$ 1.049,40. Em caso de reincidência, o valor dobra. “Os trotes sempre causam transtornos, mas no caso do Samu podem significar a perda de uma vida e as pessoas precisam se atentar em relação a isso e como são irresponsáveis essas brincadeiras de mau gosto”, disse Radaeli.
A votação do projeto está prevista para as próximas sessões da Câmara.
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