Motorista que matou jovens é condenado a 3 anos e 6 meses


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O cerqueiro Oliveiro Vicente Bárbara, pai de Júnior Barbosa, mostra a foto do filho morto em 2014. ‘Não houve justiça’, disse
O cerqueiro Oliveiro Vicente Bárbara, pai de Júnior Barbosa, mostra a foto do filho morto em 2014. ‘Não houve justiça’, disse
O pedreiro Fernando Rodrigues de Souza, de 42 anos, que atropelou e matou Júnior César Barbosa Bárbara, então com 28 anos, e Juliana Cristina Lopes, que tinha 23, em dezembro de 2014, na Vila Santa Terezinha, foi condenado a três anos e seis meses em regime aberto e teve a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa pelo mesmo período. Indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), embriaguez ao volante e fuga de local de acidente, Souza teve a pena revertida em serviços comunitários e R$ 10 mil de multa para cada família acometida pela tragédia. Sua defesa, agora, recorre da sentença.
 
A decisão do juiz Ewerton Meirelis Gonçalves causou indignação no pai de uma das vítimas. O cerqueiro Oliveiro Vicente Bárbara, 60, disse que não houve punição suficiente. “Quando o encontrei na delegacia, quatro dias depois de matar meu filho e a Juliana, porque foi covarde o suficiente para fugir, falei que não faria nada. Aconselhei quem estava revoltado a não linchá-lo, porque a justiça aconteceria nos tribunais. Não foi isso que aconteceu”, disse.
 
Com a voz embargada e evitando olhar para a foto do filho, para não chorar mais, o pai desabafou. “Minha alegria morreu com o Júnior, há um ano e oito meses. Tenho outros filhos, minha mulher e família, que me mantêm de pé, mas é muito difícil. A vida está vazia e eu me apego a Deus para entender e acreditar que pelo menos a justiça divina será feita, já que ele continua por aí, bebendo e dirigindo, como se não tivesse duas mortes nas costas.”
 
Júnior era solteiro e morava na Suíça, onde trabalhava como jogador de futebol e intérprete. Voltou para Franca um mês antes do acidente e, aqui, dedicava-se à construção de uma casa para dependentes químicos em condomínio de chácaras na saída para Ibiraci (MG). Segundo Oliveiro, gostava de ajudar as pessoas e tinha o sonho de ficar em Franca para dedicar-se à família e aos mais necessitados.
 
A jovem, de apenas 23 anos, morava no Jardim Brasilândia e trabalhava como doméstica. Havia conhecido Júnior horas antes, naquele domingo, e seguia para casa da mãe, no Miramontes, na garupa da moto do jogador. Ela deixou dois filhos: Pietro, de quase 6 anos, e Maria Eduarda, de 2 anos e 10 meses. “Penso nessas crianças, que não têm mais a oportunidade de ver o rosto da mãe e abraçá-la. O que dizer quando o Pietro aponta para o céu e fala que a ‘mamãe virou uma estrelinha’? É difícil pensar que tudo aconteceu por irresponsabilidade de um motorista bêbado e impune que, até hoje, não nos procurou nem teve coragem de olhar em nossos olhos”, afirmou o cerqueiro.
 
O caso
No dia 14 de dezembro de 2014, Júnior e Juliana foram atingidos pelo VW Santana conduzido por Souza. Estavam de moto no cruzamento das ruas Miragaia MMDC e Joaquim Cândido Guillobel, quando receberam o impacto do veículo. Segundo testemunhas, o pedreiro não respeitou o sinal de “Pare” e, ao deixar as vítimas caídas no chão, em estado gravíssimo, fugiu. Havia bebido e alegou que fugiu por temer ser linchado. 
 
Dentro do veículo, cuja frente arrebentada dava noção da violência da batida contra o casal, policiais encontraram latas de cerveja, uma faca, barras de ferro e outros objetos. O pedreiro só se apresentou no 5º Distrito Policial quatro dias após o acidente e, até hoje, segue em liberdade.
 
 

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