Afirma-se que o humano é desenvolvido. Pergunto-me: somos? Penso que estamos evolução, mas ainda muito longe do ideal de desenvolvido. Avançamos celeremente na tecnologia, mas retrocedemos no trato com o semelhante e com o ambiente em que vivemos. Por nossa culpa, poluição e degradação ambiental continuam.
Quanto a aceitarmos, enquanto humanos, diferentes opiniões, crenças e valores, caminhamos novamente em direção às cavernas.
Violência contra a mulher, GLBTs e vulneráveis atinge índices alarmantes. Ainda entendemos que criminalização resolve. Pessoas são depositadas em prisões e tratadas sem dignidade. Preferimos mantê-las longe de nossa visão, mas esquecemos que mais dia menos dia voltarão para a sociedade piorados, já que a natureza humana se revolta contra a degradação que lhe impomos. A vida é cíclica e dinâmica. O bem que fazemos retorna quando menos se espera. O mal, da mesma forma.
Continuamos querendo levar vantagem em tudo. Damos ‘carteiradas’ e utilizamos mínima influência que tenhamos para ampliar o benefício próprio, mesmo que viole direitos, como o de preferência por quem está aguarda para ser atendido, e só não o é em razão de burocracia e ineficiência. Ainda privilegiamos quem tem mais condição econômica em lugar de que é ético e moral. Dinheiro continua o comprando tudo, até a ‘felicidade’. Se não pode comprar, manda-se buscar ou fazer.
O capitalista nos escraviza, continua propondo evolução e felicidade artificiais sustentadas no quantum, não do capital humano.
Pode ser que a característica cíclica e dinâmica da vida humano neste minúsculo grão de poeira especial faça o que nós, como humanos, não estamos fazendo.
O fim dos recursos naturais nos obrigará voltar a tratar a natureza como parceira, organismo vivo que, perecendo, significará o fim de nossa espécie. Aí, quem sabe, voltaremos a nos desenvolver como humanos.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário na Unifran/Cruzeiro do Sul
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