O brasileiro ainda aguarda o desfecho dos processos de cassação do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), afastada do cargo como primeiro passo do processo em curso no Senado. A decisão deverá ser tomada no plenário da Câmara e do Senado, respectivamente, depois de ter sido feita a leitura dos relatórios aprovados nas respectivas comissões processantes defendendo as medidas. Embora as defesas de Cunha e de Dilma ainda tentem atrasar o seguimento das ações, parlamentares das duas casas acreditam que a votação final deverá acontecer ainda em agosto, um mês bastante emblemático para a política brasileira.
Pelo menos três fatos registrados em nossa história, com reflexos profundos na vida política do País, alguns ainda repercutindo até hoje, ocorreram em agosto. O primeiro, como resultado de uma crise política que assolou o País na época, o então presidente da República Getúlio Vargas suicidou-se no dia 24 de agosto de 1954, em seus aposentos no Palácio do Catete; Desta forma, renunciou não somente ao seu posto como também à vida. Anos depois, ‘forças estranhas’ fizeram com que o presidente Jânio Quadros renunciasse à presidência da República, no dia 25 de agosto de 1961. E, no dia 22 de agosto de 1976, vítima de um desastre automobilístico, faleceu o então ex-presidente Juscelino Kubitschek, que articulava o seu retorno à política em plena ditadura militar. Também no mesmo mês (dia 13 de agosto de 2014) o então candidato à presidência Eduardo Campos (PSB) morreu em um acidente de avião em Santos.
Caso ocorram a cassação de Eduardo Cunha e o impeachment de Dilma Rousseff, que a esta altura parecem inevitáveis, mais uma vez a política brasileira será profundamente tocada no “mês do cachorro louco” ou “mês do desgosto”. Eduardo Cunha foi do céu ao inferno: há cerca de dois anos vinha sendo um dos maiores críticos do governo de Dilma Rousseff e responsável por muitas derrotas que a petista sofreu ao tentar aprovar medidas de seu interesse. Depois que se descobriram contas milionárias em bancos suíços, as quais cobriram gastos vultosos da família em uma vida luxuosa fora do País, o então presidente da Câmara entrou na mira de seus próprios pares. Nem as manobras realizadas pelo parlamentar e seus aliados para atravancar o processo de cassação conseguiram o seu intento. Curiosamente, foi o próprio parlamentar que abriu o processo de impeachment da presidente petista. Agora, ambos podem cair no mesmo mês, engrossando os fatos políticos negativos que historicamente agosto registra.
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