A favor da energia


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O presidente Michel Temer terá pouco mais de dois anos para mudar a rota do setor de energia elétrica, caso o afastamento da presidente Dilma Rousseff seja consumado. 
 
Parece pouco tempo para um setor que colecionou inúmeros erros nos últimos anos, mas é suficiente para uma guinada em direção a um novo patamar de desenvolvimento.
 
Para isso, será necessário corrigir os erros que custaram caro aos brasileiros. O maior foi a Medida Provisória 579/2012, que reduziu desastradamente as tarifas de energia elétrica em cerca de 20%, visando as eleições de 2014. 
 
A Cesp, na época detentora das usinas de Jupiá e Ilha Solteira, não aderiu à MP já que isso levaria a empresa à insolvência. 
 
Após a reeleição da presidente Dilma, em 2015, veio à tona o rombo do orçamento federal e a necessidade de fazer caixa. 
 
O setor elétrico foi o escolhido para pagar essa conta. O governo federal, então, promoveu o leilão das usinas hidrelétricas visando a arrecadação de R$ 17 bilhões sem exigir melhorarias no sistema. 
 
Serão necessárias medidas rápidas e na direção correta para conseguirmos dar um salto de qualidade no setor. 
 
As energias do futuro são as renováveis, mas até que elas sejam uma realidade precisamos de energia na base do sistema. E essa energia de transição é o gás natural, abundante no pré-sal e que atuará como uma espécie de bateria das fontes eólica, fotovoltaica, biomassa e das hidrelétricas a fio d’água no período seco.
 
Para que esse modelo seja colocado em prática, o novo governo precisa estabelecer um marco regulatório do setor elétrico claro e que garanta segurança jurídica aos investidores privados, promover a expansão da transmissão e a melhoria da distribuição com o objetivo de dar segurança energética aos centros de consumo. 
 
O tempo está passando rápido. Não tenhamos pressa, mas não percamos mais tempo.
 
 
João Carlos de Souza Meirelles
Engenheiro, secretário Estadual de Energia e Mineração

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