Sargento Paulo Sérgio, 'o pai do pelotão' da PM


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O sargento com sua mulher, Dalva Sousa, na homenagem
O sargento com sua mulher, Dalva Sousa, na homenagem
Quem vê o semblante sério e compenetrado do sargento Paulo Sérgio da Silva Sousa durante abordagens da Força Tática por Franca pode não imaginar que, por trás da seriedade que a profissão exige, há um homem preocupado com a segurança de seus subordinados e um pai dedicado aos filhos e à mulher. De seus 46 anos de vida, 25 deles foram dedicados à Polícia Militar. Foi um ciclo que se encerrou no último mês e que, agora, deixará lembranças. E histórias para contar.
 
A trajetória de Paulo Sérgio na Polícia Militar - conhecido como “o pai do pelotão” da Força Tática, por ser o policial mais velho em atividade - começou logo após sua saída do Tiro de Guerra, em 1989. “A disciplina me chamou atenção e, por isso, decidi me tornar policial”, justificou. Em 1991, fez escola em Jardinópolis (SP) e, em 1994, prestou concurso para cabo e passou. Quatro anos depois, foi para a Força Tática.
 
Nesse meio tempo, o sargento conheceu a mulher, Dalva Aparecida de Castro Sousa, com quem está casado há 21 anos. Da união, nasceram Lauana de Castro Sousa, 18, e Paulo Sérgio da Silva Souza Júnior, 16.
 
Foi pensando nos filhos e em Dalva que, em 2008, Paulo Sérgio deixou Franca e foi para Sumaré (SP). Lá, ficou por dois anos e oito meses para graduar-se sargento. “Foi o período mais difícil que enfrentei na polícia. A grande dificuldade estava em ficar longe da minha família, mas me mantive fiel ao propósito, porque sabia que me tornar sargento seria melhor para todos nós”, disse.
 
Sobre os atendimentos e dias de serviço, o sargento se lembrou do acidente na Curva da Morte, em Rifaina, no ano de 2002. Dezenove estudantes e o motorista de um ônibus de Sacramento (MG) morreram. “Por debaixo da farda, há um ser humano. Às vezes, a população pode não entender isso. Sempre tem situações que nos fazem repensar em tudo. Com essa tragédia em especial, fiquei abalado. Quando cheguei lá, vi corpos espalhados.”
 
A respeito da fama que carrega entre os colegas, de ser pontual, paizão, correto e sistemático, Paulo Sérgio concordou. “Nunca abri mão da segurança daqueles que estavam comigo. Queria as coisas certas e busquei instruir todos para chegarmos bem em casa e abraçarmos nossas famílias.”
 
Agora, por causa da licença-prêmio e da aposentadoria, que sairá em setembro, Paulo Sérgio quer descansar. Sem perder a oportunidade de fazer mais coisas. “A polícia me ensinou a não ficar parado. Quero aproveitar meu tempo livre com minha família e amigos, pescar e viajar. Ainda não sei o que fazer, mas certamente terei algum projeto em breve”, disse, com um sorriso de canto de lábios.
 
Despedida
Para marcar o último dia de serviço do sargento, seus companheiros de Força Tática organizaram uma homenagem surpresa no 15º Batalhão da PM, no dia 8 de julho, regada a depoimentos e histórias. Sua família compareceu, e Paulo Sérgio não conteve a emoção. “Os anos que estão por vir não serão fáceis. A PM me ensinou tudo que sei.”
 
Ao final da despedida, o braçal da Força Tática foi entregue a Dalva para ser colocado mais uma vez e seu último dia de expediente começar. Não sem antes os PMs concluírem mais um ritual antes de partir para o trabalho, em meio a risos e aplausos: com uma temperatura de 12ºC, típica das noites de inverno em Franca, deram um banho frio de mangueira no futuro aposentado, no pátio do Batalhão. “Foram 25 anos de polícia. Busquei servir bem à comunidade e, hoje, sinto que cumpri minha missão e dever”, concluiu o sargento, antes de sair para sua última noite de trabalho e despedir-se da farda.

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